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Nem mais, nem menos

Os textos publicados nesta seção não traduzem, necessariamente, a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Em todos os momentos da vida, bom é manter o equilíbrio. Se possível. Minha mãe batia nesta bendita tecla, que tínhamos de ser ponderados em tudo, apontando exatamente o ponto crucial de cada situação. Amava os ditos de minha mãe, linda pessoa de pouco estudo e muita sabedoria.

z-mais-ou-menos[1] Tenho um poema assim: “Nem tanto ao mar/ nem tanto a terra / E na busca do meio-termo/ Quanto se erra…”. Sim, cometemos muitos erros e, se não podem ser apagados, aprendamos com eles. Tiremos deles as necessárias lições. Mas é constrangedor para nós mesmos, algumas vezes, notar que repetimos novos deslizes ao longo da vida.

Uma palavra bem dita é uma graça abençoada. A boa palavra ilumina, acalma a tempestade ao redor, restitui o ânimo e a coragem a quem deles precisa. Mas uma frase impensada ou dita no calor da contenda pode resultar numa tragédia sem fim.

Uma de minhas irmãs, a que herdou a sabedoria de minha mãe, costuma dizer: “a gente vai, a gente volta”, quando se refere a tomar partido numa determinada questão, numa situação difícil de ser julgada ou compreendida. Mas o que resta de mais positivo em nossos vaticínios é a moderação, aquela filosofia de não esticar demais a corda, não forçar o ponto de tensão, para que não venha a se romper. E rompendo-se, leve com ela algo precioso demais. Um amor. Ou uma amizade, por exemplo.

Tristeza sem nome é perder um amor, ou perder o amigo devido a um desatino, pela falta de esclarecer um problema, uma dúvida. Por questões ideológicas, estando o amigo em lado oposto, politicamente. Vimos como o país se dividiu no recente episódio do impeachment da presidente Dilma. Amizades de anos se romperam, algumas pessoas tomaram atitudes drásticas, chegando a eliminar de seus contatos nas mídias sociais quem estava “do outro lado”.

Nem mais, nem menos. A medida certa. E qual será ela? Cada um sabe, no seu íntimo, onde se encontra. Toda pessoa equilibrada conhece a fragilidade de uma situação, onde é que temos de ir com calma, ponderação, comedimento. Ninguém jamais lamentará o fato de ter sido cauteloso, buscando justamente não ultrapassar a linha desta abençoada harmonia.

Discernimento e bom senso valem para tudo e para todos, em qualquer tempo e lugar. Para quem precisou chamar a polícia uma vez na vida. Para quem se senta à mesa e para os que apreciam um bom vinho. A sobriedade jamais será repreendida. Uma pessoa de bem conhece o valor da imagem de integridade.

Nem mais, nem menos. A medida correta, precisa. O gesto pensado, refletido. Peço a Deus sabedoria e a lucidez necessária para encontrar o delicado meio-termo. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra…

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