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Tipos de entrada Archives: Expressão

A cor da chita

Demonstração de sabedoria, filosofia cética. A expressão pode ser usada como sinal de dúvida ou de advertência. Nego, por exemplo, quando vai se casar, ouve, de quem é casado, o quase lamento: “Puis é… Agora é que ocê vai vê memo qual é a cor da chita.” Mas, na verdade, nenhum piracicabano sabe realmente que cor tem essa tal de chita.

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A, ah?

Expressão cujo som não é possível de se reproduzir graficamente. É quase um a, a? , com o segundo a levemente aspirado. Usa-se o a, ah? como interrogação e, ao mesmo tempo, como interjeição de surpresa, exclamativa. Ex: quando se fala que alguém morreu, responde-se incredulamente: “a, ah?” Se conta que aconteceu um terremoto, o “a, ah?” é levemente mais enfático. O importante é saber-se que o “a, ah?” não deve nunca ser confundido com o “ô, ô”, dadas as sutis diferenças entre um e outro. Somente a prática e o uso definem exatamente situações e circunstâncias em que se usa o “a, ah?”.

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Abafá

Significando fazer sucesso, nada tem a ver com o corriqueiro verbo abafar em seus outros e diversos significados. O Presidente Lula, por exemplo, faz grande sucesso, com o seu refinado linguajar, entre os piracicabanos. Quando, por exemplo, Sua Excelência aparece na televisão, os piracicabanos se entusiasmam: “Oceis viram o Presidente? Hoje, ele abafô co discurso dele.” Para abafá, o nego tem que impressionar.

 

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Abanhá os dente

Como se sabe, piracicabano é gente higiênica. E tem uma gloriosa Faculdade de Odontologia (Unicamp). Vai daí, professor da Odontologia tá sempre fazendo campanha junto ao povo: “Vamo lá, cambada. Ocêis têm que abanhá os dente treis veiz por dia, sempre despoi das refeição e antes de durmi. “Negadinha obedece: abanha os dentes, dá banho neles, escova, bochecha,coisas assim”.

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Abri as perna

Antes, a expressão tinha quase que apenas conotação erótica, essas coisas de relacionamento sexual. Nego sussurrava, elegantemente, à muié amada: “Benhe, bamo abri as perna?” Ou ela topava ou lhe respondia “cum pedovido”, que é tapa na orelha. Com Fernando Henrique, o Brasil todo começou a “abri as perna”: para o capital internacional, para multinacionais, para o escambal. Com Lula, Brasília passou a “abri as perna” para deputados, senadores, publicitários, os socialistas do lucro fácil. Se fosse em Piracicaba, dir-se-ia que o tal “mensalão” de Brasília aconteceu porque os nego da Prefeitura “abriu as perna”. Acontece.

 

 

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Abri o balaio

Essa situação é especial. Refere-se a viúva que, vencido o tempo de luto, começa a se divertir. Tem um clube de saudosistas em Piracicaba, só de gente veia e desparceirada, todo mundo vai lá e fica de butuca esperando viúva com prazo de luto vencido. Quando vê, um cutuca o outro: “Óia lá, ta veno, a viúva loira? Ela já tá abrino o balaio.” Depois de abri o balaio, não fecha mais.

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Abrigo

Piracicaba não tem estações ou terminais rodoviários ou ferroviários. Tais lugares públicos são apenas e genericamente conhecidos como abrigos. Tem-se, assim, abrigo do ônibus, como se tinha abrigo do bonde. Nego, por exemplo, quando quer se encontrar às escondidas com a muié amada, vai logo falando: “A gente sai escondidinho e se encontra lá no abrigo do ônibus.” A muié já sabe que o local do encontro é no terminal de ônibus. Fica fácil.

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Absurdada

Diante de acontecimentos ou fatos tidos como absurdos ou apenas surpreendentes, as pessoas não se espantam e nem se assustam. Piracicabano fica absurdado. Antigamente, quando havia escândalo de político, corrupção, jornais piracicabanos protestavam, em manchete: “Povo tá absurdado cos político.” Agora, todo mundo já se acostumemo.

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Abusá

Piracicaba tinha, antigamente, muito nego abusado. Hoje, já não se sabe mais. Assim, quando o abusado dormia com a filha de outro nego, este, pai da moça, urrava: “Esse mardiçoado abusô da cuitadinha de minha fia.” Mas a neguinha até que gostava do abuso. Portanto, abusá é o mesmo que ter relação sexual com moça solteira ainda morando na casa dos pais. Ou era isso.

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Abusá da inocência

Trara-se de desvirginar moças, raparigas, de lhes, com o perdão da palavra, tirar o cabaço. Mas isso, antigamente, pois a inocência da moçada parece que já se foi. O Cerinha, sempre apaixonado por moçoilas em flor, assegura: “Sô cidadão de respeito; te agaranto que num sô de abusá da inocência de ninguém.” Tem moça, porém, que reclama: “Bobão, mar sabe ele como eu tô quereno sê abusada na minha inocência…”

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