Barack Bush, George Obama.

Quando escolhido para receber o Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama se mostrou sinceramente surpreso, a mesma perplexidade que correu mundo diante da notícia insólita. Pois Obama mal havia tomado posse como presidente dos Estados unidos. Vai daí, a sua premiação se deveu muito mais a algo que se esperava e se esperaria dele, do que por algo que, em benefício da paz, já fizera de concreto. O próprio Obama se confessou, então, não merecedor da premiação.

Na verdade, aquele prêmio Nobel foi a revelação dos sentimentos de esperança e de expectativa que o mundo nutriu por Barack Obama, seus propósitos arrebatadores, suas promessas, um político novo e de visão diferenciada para o qual o mundo voltou suas atenções. Chegando ao governo em meio à terrível crise econômica e ao desprestígio dos Estados Unidos no conserto internacional, Barack Obama foi um dos presidentes mais aclamados, apoiados e estimulados da história mundial. Era como se houvesse um sentimento de esperança comum, no medo de que não acontecesse o temido: se Barack Obama falhasse, levaria consigo esperanças mundiais, deixando vazio impreenchível de liderança e, pior ainda, o sabor amargo do desengano.

Quando, no Brasil, Obama ordenou a ação invasora da Líbia – pois, mesmo com eufemismos e falácias, está havendo uma invasão – a decepção foi brutal. Em primeiro lugar, pela falta de cortesia com o país anfitrião, o Brasil. E, concomitantemente, pela quase certeza de que Obama ou deixara cair a máscara ou, então, fora vencido pelos chamados falcões estadunidenses, conglomerados e o complexo industrial-militar. Fosse o que fosse, Obama fora atingido em sua liderança e abalado ficou a confiança nele depositada.

Agora, as coisas pioram, revelando faces negras e ocultas, ao velho estilo de outros presidentes dos Estados Unidos que usam a CIA para desagregar povos, para fomentar crises, para treinar até mesmo torturadores. O insuspeito “New York Times” revelou que Barack Obama assinou, de próprio punho, um documento autorizando a ação da CIA na líbia, em apoio aos chamados rebeldes que, na verdade, se mostram como grupos organizados e estimulados pelos Estados Unidos e aliados.

A frase de Lord Acton, ainda no século 18, de que o “poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente” pode adequar-se a essa face guerreira revelada por Barack Obama. Querer nega-lo é usar subterfúgios ou tentar enganar-se a si mesmo. O Prêmio Nobel da Paz está em mãos erradas e, fosse realmente um homem digno da imagem que mostrou ao mundo, Barack Obama devolveria a sua premiação. Pois ele não a merece, mesmo quando, se quiser, argumentar que “si vis pacem, para bellum”, o provérbio latino da Antiguidade que orientava os governantes: “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Nada justifica, a não ser a frieza e a hipocrisia da “real politik”, que Barack Obama, eleito para ser o contrário de George Bush Júnior, se revele ao nível dele. Aliás, de maneira pior, pois se faz de cópia. Como original, George W.Bush era autêntico em sua truculência; como cópia, Barack Obama transpira a hipocrisia da corte florentina, tão bem descrita por Maquiavel, onde as traições se faziam com pequeninos punhais. Obama dá o tapa e esconde a mão. Bush soltava as bombas sem pedir licença. Falar em um e outro é quase a mesma coisa, a ponto de se confundirem: Barack Busch ou George Obama? Esse é o retrato de um mundo sem lideranças e entregue à desordem. Bom dia.

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