Blablabláe Tony Curtis

Tony CurtisPrometi-me não ver qualquer programa político ou debate de candidatos pela televisão. Aliás, minha descrença é tal que quase resolvi, tendo chegado aos 70 anos, não votar. Desisti dessa tentação, que seria uma tolice imensa, pois sei que irei votar enquanto estiver vivo, nem que seja para ser conduzido de maca. Mais uma vez, candidatos ao Congresso e assembleias legislativas descerão novos degraus na escadaria que leva ao buraco sem fundo. Como a confirmar a Lei de Murphy, “se tem que piorar, piora.” Portanto, irei votar. E a promessa, que me fiz, de não assistir a qualquer debate, eu a rompi no último promovido pela Rede Globo. Perdi a invencibilidade, mas perdi, também, a paciência diante de tanta mediocridade.

Em meu entender, nada se esclareceu, nada mudou, como se a campanha estivesse em seu início. E lá continuam, liderando a disputa, a Dilma e o Serra, do jeitinho que o Lula queria. A Marina Silva é uma doçura de mulher, mas não se trata de eleger a madre superiora do convento e, sim, quem governará um país que se alinha, agora, entre os grandes países do mundo. Meu coração, por idealismo e honestidade, me manda votar em Plínio de Arruda Sampaio, mas não estamos elegendo o presidente de um Conselho de Anciãos que, aliás, está sendo necessário a este país. Sobram, pois, Dilma e Serra, dois estilos de governo já conhecidos: o de Lula, o dos tucanos. E a escolha fica mais fácil. Se vivêssemos num sistema parlamentarista, seria formidável votarmos em Plínio, o Velho, para a presidência da República, um sábio na chefia do Estado, e, talvez, colocar a Dilma como Primeira Ministra, por que não? Mas trata-se de presidencialismo e as ideias e a falta de fôlego de Plínio não têm mais espaço.

Perdi, pois, a invencibilidade. E vi e ouvi um blablablá insuportável, a mesmice insistente, a lengalenga repetitiva de uma disputa que não empolga e não fascina. Lamentei e me preparo para votar no possível e não no desejável. Ainda outra vez. Mas fiquei com uma dúvida atroz, razão porque me referi a Tony Curtis. Pois não sei, ainda, mesmo quando se encerrou o debate, se o que mais lamentei foi o debate da Globo ou a morte de Tony Curtis, um dos heróis de minha geração na adolescência. Qual jovenzinho, dos 1950, não usou um topete à Tony Curtis? Qual adolescente não sonhou em ter como namorada uma Janeth Leigh, a loura meiga que, com Tony, formou um dos casais mais admirados do mundo, ainda que por tempo razoável?

Fico com a sensação de que mais triste e lastimável do que a morte de Tony Curtis foi, pelo menos para mim, o medíocre blablablá que a Globo levou ao ar, perdendo um tempo que melhor seria aproveitado se fizesse reprises dos filmes do garboso Tony Curtis, especialmente “Quanto mais quente melhor”. Ou há quem duvide de que há mais atrativos em ver Tony Curtis e Marilyn Monroe na tela, do que José Serra e Dilma Roussef? Bom dia.

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