Cigarro, não; mas jogo, prostituição, maconha, bebida…

É mais do que sabido que uma nação se constrói com a soma das virtudes de seu povo, não com seus defeitos e vícios. No entanto, virtudes e vícios de tal forma se confundiram no Brasil – na pirâmide invertida de valores e no esfacelamento de princípios – que mesmo falar-se em educação, hoje, se torna difícil e complicado. O que seria educar? E para quê?

Nossas crianças teriam que ser educadas para se tornarem seres humanos dignos ou apenas espertos, craques em participar do jogo de desonestidades, de malandragens e safadezas? Quando uma jovem mãe estimula a filhinha a ser modelo de passarelas ou a exibir o corpinho infantil, ela está preparando a futura mulher para o mercado ou para a família? E o garoto, ou deixado a esmo ou estimulado a usar de alguns dotes para ser jogador de futebol, artista de tevê, cantor de rap? Não que sejam profissões ou atividades menores, mas por não serem as mais modelares na vida humana.

Já me referi ao livro “Clube Bilderberg” – há anos editado e desaparecido das livrarias – em que já se anunciava o movimento organizado para a mudança do comportamento social dos povos. O grande objetivo é o da uniformização, o comando único como foi único o pensamento de Washington, que tantas tragédias trouxe ao mundo, com conseqüências ainda funestas. Pois bem. Uma das experiências vitais para o domínio do comportamento humano dizia respeito ao vício do tabagismo. Uma propaganda maciça, mundial tem sido desencadeada não apenas para provar o que todos sabiam, dos males do cigarro, mas para transformar o fumante no novo leproso bíblico. Vencer essa batalha, mudando o comportamento diante de um vício terrível, seria um dos grandes passos para dar continuidade ao grande projeto de bancos e empresas transnacionais: o domínio do comportamento, a anulação da individualidade, a formação de rebanhos humanos. A perda do sentimento de nacionalidade, a idéia falsa de universalização do ser humano, uma só pátria humana, uma única maneira de pensar, eis aí o grande projeto que, felizmente, nunca chega a dar certo por força da indomável vocação humana para a liberdade.

A destruição de valores é passo essencial para o controle das mentes. Quando se faz o povo acreditar que há, para ele, todas as possibilidades, a verdade é outra: quando há tantas, não há nenhuma. Excesso de opções desnorteia e leva à passividade. Nossos jovens estão cada vez mais passivos porque treinados a acreditar que podem tudo, que a tudo tem direito, que o mundo lhes está escancarado para todo e qualquer sucesso. É a grande mentira. Pois tem-se visto, cada vez mais, a multidão de apáticos, de medíocres, como que uma massa disforme sem vontade própria e sem destino.

A campanha contra o cigarro foi notável, exigindo um esforço total do governo de São Paulo, laboratório para outros estados. E com custos altíssimos para, de uma verdade – que o cigarro faz mal á saúde – ficar-se apenas nela, como se outras ainda piores não existissem. Queimem-se florestas, multipliquem-se poços de petróleo, permitam-se veículos poluindo ambientes, estimulem-se alimentos maléficos, que isso parece não ter importância. O inimigo número um ou exclusivo é o cigarro. Foi o bode colocado na sala.

Enquanto isso, Fernando Henrique Cardoso está entre os líderes para a descriminalização da maconha e outras drogas, uma confissão de derrota diante de vícios que estão solapando os alicerces morais da sociedade. De outro lado, defende-se abertamente, propondo-se a legalização, a prostituição, como se nenhum outro valor existisse além da comercialização dos corpos. O casamento, união de homem e mulher, é tratado como algo superado, pois há casamentos de todos os tipos, miscelânea de gênero: homem com homem, mulher com mulher, transgêneros, travestis e o escambal. Aliás, o Estado deve pagar cirurgias para mudanças de sexo, enquanto não paga, aos pobrezinhos, uma internação para cirurgias essenciais.

E, agora, a nobilíssima Câmara dos Deputados – de Brasília, a Sodoma brasileira – aprova a jogatina aberta, os bingos, bingos eletrônicos, jogos de azar, com a justificativa imoral, esdrúxula, falsa e indecente de que serão abertos novos mercados de trabalho. E as tragédias que todos conhecemos, de famílias que se desintegram, do vício que destrói a economia doméstica, da corrupção desenfreada, da lavagem de dinheiro? Em todo o mundo, há o mesmo universo de vícios formado por jogo, prostituição, drogas, álcool, banditismos. O Brasil está oficializando tudo isso, o império do vício. A única virtude é combater o cigarro. Brasileiro gosta de ser chamado de otário? Bom dia.

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