Confiar no quê, em quem?

2014O chamado cartel da informação – em que se transformou a poderosa imprensa grande brasileira – causou resultados sombrios para a nação brasileira. De tanto atirar sempre contra o mesmo alvo, de tentar desmoralizar sempre os mesmos protagonistas, conseguiu o que os minimamente inteligentes esperavam: desassossego, desinteresse, falta de motivação, desânimo. A classe política foi atingida em seu cerne e o próprio regime democrático fragilizou-se.

A corrupção em política tem sido e, desgraçadamente, ainda é como que um câncer congênito do qual poucos escapam. Não apenas em nível nacional, estadual ou municipal – mas universalmente. Os escândalos, os golpes, os interesses escusos – em nível de grupos ou individualmente – repetem-se como uma pandemia por todo o mundo. A grande diferença está em que, em alguns países, os delitos são punidos, quando descobertos. No Brasil, dá-se o jeitinho de Macunaíma.

São apenas ingênuos os que acreditam não haver corrupção onde se instala qualquer espécie de poder. Já me cansei, como jornalista, de lembrar a afirmação de Lord Acton, ministro inglês do século 18, que permanece atual e verdadeira: “O poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente.” Criam-se grandes, imensas redes de interesses. E, no conflito, ou uns acusam os outros ou simplesmente se calam, num código obsceno: “nós não falamos de vocês, vocês não falam de nós.” E, como conseqüência, o povo – mesmo num regime democrático – é levado a escolher sempre os que causam danos menores. O ideal, o sonho, a esperança desapareceram na esfera da política.

Um dos livros clássicos da teoria política, de Harold Lasswell, discute a grande questão: “Política: quem ganha o quê, quando, como.” Num exemplo simplista – mas conhecido de todos nós – poderíamos formular a questão: “O Prefeito Zezinho  (Quem) ganha comissões (o quê) ao abrir concorrências e ao fazer licitações (Quando) depois de acertar entre as partes (Como). Falta apenas dizer o onde, que é sempre clandestino, às escuras.

O ex-presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, denunciou, ao sair do poder, a grande aliança feita por governos e governantes com o poder econômico, das grandes empresas multinacionais, e, também, com Forças Armadas. Eisenhower denunciou o “complexo militar-industrial” aliando-se ao governo visando estabelecer diretrizes para a produção, desenvolvimento, pesquisas. Foi no final da década de 1950. De lá para cá, a advertência não apenas se confirmou como, com força total, ampliou-se e passou a exercer seu domínio no mundo todo.

O famigerado “consenso de Washington” – do qual nasceu o “pensamento único” e a vitória do neoliberalismo – criou uma nova estrutura política mundial, hegemônica, dominadora. Presidentes de repúblicas são, quando geopoliticamente interessantes, eleitos por essa força poderosa. Congressos nacionais, também. E a política do porrete é usada quando alguns loucos, visionários ou rebeldes tentam buscar outras vias. Isso é do conhecimento do mundo acadêmico e, também, dos poderosos veículos de comunicação. Mas é sonegado aos leitores médios de jornais e revistas e, também, a telespectadores das redes mundiais de televisão.

Escândalos existem, a mancheias. Corrupção, negociatas, roubos, malfeitos, desatinos. Em nível generalizado. No entanto, o grande erro dos meios poderosos de comunicação foi o de transformar em alvo preferencial e exclusivo apenas alguns dos atores do drama político, poupando outros. No Brasil, toda a estratégia destruidora tem-se voltado contra o PT. Poupam-se o PSDB, o DEM, apenas para citar alguns. A demonização do governo é de tal forma redundante e diuturna que chegou ao exagero e, portanto, à exaustão. Perdendo o senso de si mesma e de suas responsabilidades, a imprensa grande infantilizou-se, acreditando em suas próprias desinformações.

O resultado desse bombardeiro diário, da ausência de uma oposição verdadeiramente séria, da perda de sistemas de informações realmente honestos, está aí, solto no ar, às vésperas de outras e novas eleições. Com uma classe política inteiramente desmoralizada – com exceções tão poucas que perdem a importância – instalaram-se o desânimo e o desconsolo: confiar no quê, confiar em quem? E, portanto, confiar em que programa de governo, em qual candidato? Desmoralizar a democracia é cavar o próprio túmulo dela. Estamos cavando-o, cavando-o.  Bom dia.

1 comentário

  1. Rubens Morandi Jr. em 12/08/2014 às 10:19

    O Maluf hoje alinhado com o PT apareceu com lula e o prefeito de São Paulo, me parece que o Lula tinha todo seu arsenal voltado contra este, que é de direita estou certo.
    Outro ponto: os financiamentos de obras em países africanos e latino americanos pelo BNDES é um descalabro e mais ainda a mal uso do dinheiro publico em estratégias de investimento errados ou para desvios na Petrobras onde temos testemunhos de funcionários de carreira que não entraram na sujeira.
    Vocês vem falar como sendo coitadinho do PT, ele é competente só faz tudo certinho e é injustiçado pela grande imprensa.
    Conversa fiada, o PT manda em tudo faz o que quer e qdo algo aparece vem com desculpas igual a do Maluf , porem o Maluf rouba mas faz , o PT desfaz.
    Não sou PSDB, nem DEM nem PSOL , sou a favor de reforma política onde o país seja administrado por homens e mulheres sérios e honrados (alias isto parece não existir mais no meios públicos), diminuir o numero daqueles que mamam nas tetas gordas do estado Brasileiro.
    Não foco o partido mas a sua filosofia e de seus dirigentes que são alinhados com países que sempre oprimiram opiniões contrárias como cuba, Venezuela e outras ditaduras de esquerda, e nestes países quem for amigo deles poderão mandar dinheiro pra lá pois a Interpol não tem acesso a nada são sistemas fechados ninguém tem acesso.

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