De Atenas a Alcatraz

picture (16)O deputado Roberto Moraes – reafirmando seu posicionamento político de pertencer à base do governo na Assembléia Legislativa – revelou, ao mesmo tempo, sua estranheza e discordância quanto à anunciada construção de outro presídio em Piracicaba, um dos presentes preferidos que o tucanato paulista costuma oferecer a nossa cidade. Piracicaba parece, para o governo paulista e seus companheiros, lugar destinado a recolher marginais, no esquecimento de que esta terra foi reconhecida, pelo Brasil, como cidade de escolas, de letras, de artes, de ciência.

Fomos o Ateneu, a Atenas Paulista, a Florença Brasileira, a Pérola dos Paulistas, muito embora alguém já nos tenha chamado, em anos recentes, de Amsterdam Paulista, tal o descalabro no combate às drogas. O tucanato parece querer que repitamos o antigo presídio de São Francisco, tornando-nos aquilo que parece nos julgar por sua óptica desrespeitosa: a “Alcatraz de São Paulo”

Pelo visto, o tucanato nos olhou mais como Amsterdam do que Atenas. Pois, desde a primeira posse do prefeito tucano, já recebemos uma unidade da FEBEM, ainda que com nome trocado, o que não muda o conteúdo. E, agora, o anunciado presídio, a se somar ao outro que nos foi dado como presente de grego. De Atenas a Amsterdam e de Amsterdam a Alcatraz, eis aí a nova bofetada, comprometendo em definitivo um dos lugares mais bucólicos de nossa região, aquele trecho da rodovia Piracicaba-Limeira.

O deputado Roberto Moraes mostra-se surpreso e desinformado, mas seria, isso, de se estranhar? Ninguém perguntou ao atual prefeito se ele sabia de mais essa bofetada no rosto dos piracicabanos, se foi consultado, se concordou, se protestou ou se, mais uma vez, prestou serviços aos seus superiores políticos. Pois Piracicaba, nos últimos tempos, é um espaço de prestação de serviços a políticos e a grupos interessados, indo na contramão da história e em contradição a nosso próprio passado.

Se o deputado Roberto Moraes não sabia do que estava acontecendo nos bastidores governamentais que escolheram Piracicaba como mais um depósito de marginais – pois é disso que se trata – s.sa. fica em posição absolutamente desconfortável, pois, não sendo consultado, foi, no mínimo, desrespeitado como representante de uma região. Se é da base parlamentar que apóia o governo estadual, deveria saber. Se não foi informado, isso significa, também no mínimo, que sua opinião ou sua reação não importam. Na realidade, talvez o governo paulista, com um simples telefonema, tenha informado, sem consulta, o alcaide de sua decisão: “Vai aí outro presídio para Piracicaba, falô?” E ninguém tuge nem muge.

Há políticos que confundem abundância de votos com liderança. Popularidade é uma coisa; liderança, outra. Uma cidade sem oposição é cidade destinada a todas as formas de sujeição. Por falar nisso, como anda e onde está o PT, hein? Bom dia.

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