Delícias da monarquia

Dom JoãozinhoÉ aquela sábia observação do Joãosinho Trinta: “Intelectual é que gosta de pobreza; pobre gosta de luxo.” De minha parte, sinto verdadeiro fascínio por requintes monárquicos. Quando vejo, por exemplo, aquelas solenidades no Vaticano, o Papa e os cardeais vestidos com tanta pompa, os rituais, a liturgia, sinto-me diante de um conto de fadas. Até missa solene me encanta, aquela que tem incenso, turíbulos dourados, vestes majestáticas. Aliás, se dependesse de bom gosto e de luxo, votaria nos ritos da Igreja Ortodoxa, em especial se for a russa. Se apenas uma vez assisti a um culto ortodoxo, foi suficiente para enriquecer-me o imaginário. E não me digam que Jesus nasceu em manjedoura, que isso me estraga as fantasias até porque, logo depois, lá estavam os Reis Magos com toda pompa e circunstância a tratá-lo como um pequeno rei.

Quando houve o plebiscito para se estabelecer o regime de governo do Brasil – se republicano, monárquico ou parlamentarista – votei, conscientemente, na Monarquia. Afinal de contas, o presidencialismo brasileiro é totalmente monárquico, mas sem grandeza, sem pompas, sem refinamentos. E acredito piamente que os brasileiros teríamos muito mais paz, alegria no coração, festa na alma se tivéssemos rei e rainha, príncipes e princesas. Quanto a condes, barões, duques, e suas respectivas, não seriam necessários, já que eles existem por aí em uma mediocridade dolorosa.

O que penso, a maneira que vejo é simples mas generosa: D.Joãozinho Orleans e Bragança – bonito, esportivo, simpático, alegre, rico – seria ungido rei do Brasil, morando em Petrópolis e Paraty, sem fazer mais nada. Passearia, daria festas, a corte reuniria mais do que simples socialites, as revistas publicariam as fofocas reais da semana, o Brasil todo teria interesse em saber das intrigas cortesãs. Surgiriam centenas de outras revistas Caras, com gente, porém, mais interessante, já que a vida na corte exige certos requintes. E um primeiro-ministro governaria o Brasil. Aliás, até sugiro um trio: Joãozinho de Orleans e Bragança, rei; Lula, Presidente; Dilma, primeira ministra. Seria, então, uma república-monárquica-parlamentarista. A festa seria constante. O rei, obviamente, seria decoração.

Basta ver o que está acontecendo na Inglaterra, em todo o Reino Unido. Ninguém mais fala em crise, em economia complicada, em União Européia, desemprego. O assunto que apaixona e desperta comoção é o casamento do jovem Príncipe William com a namorada plebeia, Kate Midleton. Todo o Reino Unido passou a discutir o que é mais importante, o essencial para a vida dos britânicos: onde será o casamento, em que igreja; quem fará o vestido na noiva; quantos milhões de libras serão gastos para a festança; quais personalidades mundiais serão convidadas; quanto tempo durará a união do casal, considerando os antecedentes da família; Kate saberá ser sucessora de Lady Di, em carisma, simpatia; o príncipe William será o futuro rei, ocupando o lugar que seria do Príncipe Charles, o pai?

As monarquias modernas têm suas delicias, pois deixaram de ser absolutistas, com raras exceções. Das 12 maiores economias do mundo, nove são de países monárquicos. Países e nações importantes têm seus reis, rainhas, príncipes e princesas. Alguns: Inglaterra,Canadá, Dinamarca, Espanha, Japão, Luxemburgo, Mônaco, Noruega, Suécia, Holanda, o próprio Vaticano, e outros menos votados. E os Emirados Árabes, hein? O Brasil, convenhamos, continua com nostalgia imperial, monárquica. Nas favelas do Rio, foram presos, agora, o Rei do Tráfico, o Rei das Armas. Quem nega a postura toda imperial do Rei Pelé, do Rei Roberto Carlos? Temos rainhas do café, da soja, do açúcar, dos estudantes, até em zonas de meretrício há rainhas e princesas. Por que não oficializar tudo isso de vez?

O Brasil, penso eu, deveria a voltar ter rei. Mais do que isso: precisaria. Já escrevi sobre isso diversas vezes. Seria um rei sabidamente de fachada, que não fizesse nada a não ser esbanjar sorrisos, gestos nobres, civilidade, bom gosto, luxo, essas coisas de que o pobre gosta e que intelectual detesta. Dom Joãozinho de Orleans e Bragança – que já tem a Pousada do Príncipe, em Paraty – é meu candidato preferido, ideal, mesmo já maduro em idade. Se Brasília é a Ilha da Fantasia, Petrópolis e Paraty seriam cidades-sede da monarquia brasileira. E não há quem duvide de que Brasília sairia perdendo feio. O povo ficaria com coração e mente voltados para as futilidades imperiais e, de algum modo, esqueceria das malandragens, corrupções e mediocridade do Brasil oficial, republicano.

Imagino o fantástico que seria ver Dom Joãozinho dando o pontapé inicial do jogo de abertura da Copa do Mundo. E, depois, abrindo oficialmente os Jogos Olímpicos. Fico pensando nisso e me delicio. Bom dia.

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