Em busca da informação

Foi curioso. A vida toda defendi a necessidade de as pessoas se manterem informadas. Mais do que isso: bem informadas. Ler jornais, por exemplo. Não dá como conseguir um mínimo de informação decente se não se conseguir ler três ou quatro jornais de tendências diferentes e revistas. Geralmente, a verdadeira informação está nas estrelinhas ou naquilo que não foi escrito. Assim, ler jornais e revistas passou a ser uma arte. Mas não era isso que eu queria dizer.

O que eu queria dizer mesmo é que a vida toda persegui a informação, a leitura, a busca das coisas. Mas uma vez me aconteceu: fiquei 72 horas sem saber o que estava ocorrendo no mundo. Sem ler nada, sem ver televisão, sem ouvir uma única informação.

E, quando, 72 horas depois, retomei o comum e o cotidiano, eis que me deixo apanhar por uma agradável, maravilhosa surpresa: o mundo continuava existindo e nada mudou! Em compensação, aquela minha absoluta falta de informação durante três dias me havia causado um bem-estar incomum, como que uma purificação. Eu me sentia leve, descontraído. Há, portanto, também uma intoxicação de notícias, de informação. Talvez, uma poluição, sei lá eu. Fiquei, então, pensando na beleza que existe no ignorante, na ignorância, no não-saber.

E me lembrei de um caseiro que tive, homem que havia ultrapassando os 70 a nos. Ele era quase analfabeto, sabia apenas escrever o nome. Não tinha conhecimento de nada do que ocorria no mundo, nos acontecimentos políticos e sociais. O máximo de que ele falava era de Getúlio Vargas. E, no entanto, meu velho caseiro sabia tudo da vida e dos mistérios do mundo cósmico. Ele sabia através das plantas, da posição do sol, da mudança da lua.

Foi ele quem me falou, um dia, enquanto pitava o seu cigarro de palha: “O senhor muda conforme a lua”. Comecei a pensar nisso, a reparar e acabei descobrindo a influência que a Lua exerce sobre mim, pelo menos sobre mim. Não entendi nada, nem quero. Mas sei que ela produz efeitos e não discuto.

O fato é que fiquei 72 horas sem nada saber dos acontecimentos e, quando retomei ao cotidiano, o mundo estava no mesmo lugar. Retomei, então, em paz, ao meu cantinho e fiquei com os meus livros e discos.

Não se trata mais de buscar informações, mas encher alma do que realmente interessa. Desgraçadamente, não sou suficientemente ignorante ou sábio para aprender coisas apenas com a vida, com o Sol e com a Lua, com a natureza. Vou tentando aprender, ainda, nos livros.

Há um mundo, o da arte e da cultura, que nada tem a haver com o resto que por aí está cheio de dólares e de carros.

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