Infestação de humanos

Há pouco tempo, propôs-se, em Piracicaba, a matança de capivaras que, aos milhares, multiplicavam-se às margens do rio, causando doenças, destruindo lavouras. Era, na realidade, uma infestação de roedores, o que implicava uma invasão devastadora. Neste final de ano, na Austrália, o problema são os dromedários, que se multiplicaram incontrolavelmente, invadindo reservas de água, de alimentos, destruindo reservas florestais. Animais selvagens, sem recursos em seu habitat natural, já alcançam as cidades.

Ninguém, no entanto, está falando a respeito da maior de todas as devastações que se espalha pela Terra: a infestação dos humanos. A ONU divulgou números dantescos: 1,200 bilhão de seres humanos estão passando fome. Continentes inteiros vão sendo devastados pela miséria humana, pela fome e conseqüentes horrores. A China enfrenta, em relação às necessárias medidas de ordem climática, um problema insolúvel: como dar alimento, trabalho, emprego, condições de vida para seus também 1,200 bilhão de habitantes? China, Índia, países asiáticos, grandes cidades do mundo ocidental sofrem do mesmo e irreparável mal: a infestação dos humanos.

Veja-se São Paulo. Enquanto o governador Serra preocupa-se com grandes obras viárias, tendo veículos motorizados como centro, e enquanto o prefeito Kassab apresenta projetos apenas de urbanismo estético, os 20 milhões de habitantes da metrópole vivem os horrores do inferno, na situação inacreditável e absurda de, em alguns bairros, a população estar vivendo debaixo dágua. Como administrar metrópoles de 20 milhões de habitantes, se se trata de uma infestação de humanos, descontrolada, incontrolada, impossível de ser contida, detida ou apenas regulada?

Os conceitos antigos de democracia foram atropelados. Não há qualquer possibilidade de o povo ser representado em parlamentos ou em governos, se estamos diante de uma infestação e de, portanto, algo sem controle. Começam sinais, no mundo todo, de rebeliões carregadas de fúria. Não foi simples acidente a agressão sofrida por Berlusconi. Nem são acidentes as manifestações em Brasília, no campo de futebol de Curitiba, nas ruas e praças civilizadas de Copenhague. A infestação humana rompeu limites civilizatórios, pois já estamos diante de um salve-se quem puder, da lei do mais forte, de um darwinismo social que se aproxima das batalhas sanguinolentas.

Denúncias perturbadoras – que a imprensa mundial finge ignorar – foram feitas a propósito do chamado Clube Bildeberg, união dos mais poderosos grupos econômicos do mundo, em aliança com chefes de Estado e de Governo, com militares e forças multinacionais. A preocupação com essa infestação humana ocupa, também, os mais altos interesses dessas organizações secretas. São bilhões de seres humanos improdutivos, inúteis diante do ponto de vista do mercado, com populações idosas cada vez maiores, também improdutivas. Não há mais recursos para alimentação, saúde, previdência social. Falta água para as populações. E comida. O petróleo, chegando ao fim, está sendo explorado vorazmente, nem que traga mais miséria e guerras e destruições ambientais. As guerrinhas estúpidas do Oriente Médio não passam, agora, de simples guerrinhas, que atrapalham o comando universal.

As despesas com guerras em apenas alguns dias seriam suficientes para alimentar todos os famintos do mundo. Mas eles se multiplicam mais e mais, como se fossem ratos, uma infestação de humanos em todos os quadrantes da Terra. Nas denúncias a respeito da ação do Clube Bilderberg, há relatos de estudos que projetam a população ideal para alguns países líderes do mundo: 100 milhões de habitantes nos Estados Unidos; 400 milhões, na China. Se imaginarmos o que iria propor-se em relação ao restante dos humanos, não há como deixar de temer pelo ressurgimento de fornos crematórios, de campos de concentração, de pandemias artificialmente criadas. Quem pensar sejam delírios de teoria conspiratória ficará surpreso se conseguir viver para ver.

Essas considerações são apenas para lembrar que, em nome de espaço vital e de controle da população, nasceram os regimes totalitários, fascismo, nazismo, comunismo. E os sinais são aterradores: as democracias, falidas em sua estrutura, não têm dado conta de solucionar os problemas mundiais. Nem mesmo os do quarteirão dos cidadãos. A classe política faliu e é um acinte, um tapa na cara de cada cidadão, especialmente no Brasil. E a pergunta, com medo de ser feita, continua nos lábios de uma cada vez mais crescente maioria: para quê pagar deputados, senadores, vereadores? Por que não se impõe pena de morte a políticos corruptos?

São perguntas próprias de um tempo de desespero. A infestação humana faz naufragar o barco da humanidade. E, no naufrágio, os ratos são os primeiros a sair do navio. O que sobrar será destruído pelo quebra-quebra, pela revolução, pela guerra civil. Aconteceu com a Bastilha. E ninguém mais se lembra. Bom dia.

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