Israel e paciência do mundo

Israel 2A barbárie cometida pelo nazismo contra os judeus é uma das vergonhas da humanidade, crime sem perdão que, ainda hoje, causa indignação às nações e pessoas minimamente civilizadas. O chamado holocausto tem sido lembrado como a ignomínia que não deve ser repetida, especialmente porque não se pode ignorar existam, ainda, resquícios dos milenares preconceitos contra o povo judeu. Ora, o mundo moderno não admite mais radicalismos odiosos, sejam quais forem, em especial étnicos e religiosos. O povo judeu é guardião de uma das mais admiráveis heranças culturais, históricas e religiosas da humanidade. E o Ocidente não pode se esquecer de que suas raízes estão intimamente ligadas às origens judaicas, de onde nasceu o cristianismo. Mas isso não dá, a Israel como e enquanto Estado, poderes absolutistas e perdões antecipados.

A criação de Israel, logo após a II Guerra Mundial – com a participação do Brasil, que, através do chanceler Oswaldo Aranha, presidiu a sessão histórica da ONU – foi recebida com simpatia mundial, apesar dos conflitos que surgiriam e que surgiram em relação ao mundo árabe. Há divergências que parecem insolúveis entre árabes e judeus naquela região conturbada, como uma grande família onde parentes ao mesmo tempo convivem com amor e ódio.

Israel, enquanto Estado, no entanto, passou a desafiar a paciência do mundo, com seus extremismos, arrogância, incapacidade ou disposição para o diálogo, sob a proteção cúmplice dos Estados Unidos que perdem, em relação ao estado judaico, qualquer conceito de ordem ética internacional. A proteção incondicional, injusta e capciosa dos Estados Unidos tem permitido que Israel aumente, cada vez mais, o seu desrespeito a leis internacionais, a decisões das Nações Unidas, a acordos e propostas de entendimentos. Isso não significa que, do lado palestino, tudo sejam flores e decência, pois há ódios e ranços que toldam qualquer senso de razão.

Israel, o Estado, parece pretender colocar-se acima do bem e do mal, sentindo-se garantido pelo lobby formidável de imprensa, bancos, empresas poderosíssimas de origem judaica espalhadas pelo mundo e, em especial, nos Estados Unidos. Trata-se, na verdade, de uma amoralidade, como se, para Israel, houvesse antecipadas indulgências plenárias ou, então, que o holocausto pudesse justificar todos os erros, afrontas, agressões que Israel passou, impunemente, a fazer. E é terrível e indecoroso começar a perceber que Israel, à sua maneira, repete – em relação aos palestinos – os ódios, métodos e argumentos usados pelo nazismo contra o povo judeu. Como a história se repete sempre como tragicomédia, é insuportável sentir que Hitler parece renascido no Estado de Israel. É acintoso e dolorido, por exemplo, ver-se que o odioso Muro de Berlim foi substituído, impunemente, pelo Muro de Israel.

Não há argumentos honestos que justifiquem as atitudes belicosas de Israel cujo governo nem sempre representa a extraordinária história do povo judeu. É como se houvesse uma divisão que, aliás, precisaria ser bem acentuada: o povo judeu é uma coisa; o Estado de Israel, por seus governantes, é outra. Os ataques e a violência contra a flotilha da paz em águas internacionais despertaram a indignação mundial, mas não podem se resumir apenas a isso. Por muito menos, os Estados Unidos e o Conselho de Segurança da ONU punem países, fazem boicotes, estabelecem normas restritivas de uma crueldade inominável, levando a fome e a miséria a milhões de civis inocentes. Israel parece imune a tudo isso, uma injustiça que não pode mais ser suportada. Ora, até o armamento nuclear – sobre o qual Estados Unidos e Israel silenciam – tem sido mistificado ao mundo, numa farsa internacional que, agora, clama aos céus. Por que se dá, a Israel, o direito de possuir todos os armamentos mortíferos, negando-os a outros países soberanos? A moralidade das leis internacionais está na equanimidade. Se são parciais e atendem apenas a conveniências, se tornam imorais e ilegítimas. E, portanto, sem a obrigação legal de serem observadas. A isso se chama, também em direito internacional, desobediência civil, que tão bem, nos próprios Estados Unidos e em rebelião contra a Inglaterra, pregou e anunciou Henry D. Thoreau. Os princípios de Thoreau inspiraram a resistência de Gandhi e, talvez inconscientemente, estejam, ainda, inspirando os que não mais suportam a arrogância de Israel, que desafia a paciência do mundo.

Um dos receios é que, talvez, Israel realmente acredite ser o povo escolhido por seu deus, o que significaria que nós, outros mortais, nada somos, além de infiéis desprezíveis. Se eles crêem que Deus os têm como eleitos, crêem também que podem tudo contra todos. Israel seria, então, para seus líderes radicais e extremistas, o centro do mundo. Mas, se for assim, o mesmo Estado de Israel justificará, também, a guerra santa dos islâmicos, que, em nome de seu deus, abençoam os suicidas, homens bombas, que, morrendo pela fé, serão premiados com dezenas de virgens no reino dos céus. Israel está impondo o terrorismo de Estado. E isso é uma forma nova de nazismo, quem diria? A lei de Newton também funciona em política internacional: a toda ação corresponde uma reação oposta e de igual intensidade. Quem semeia ventos colhe tempestades. E estas já se anunciam em todo o mundo, em repúdio ao crescente espírito nazista do governo de Israel, que promove o holocausto a outros povos. Bom dia.

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