João Herrmann Neto, Joãozinho

picture (36)Confesso não ter qualquer condição emocional para escrever a respeito da morte do deputado federal, ex-prefeito e político João Herrmann Neto. A análise política de sua trajetória e de sua ação eu já a fiz em diversas oportunidades, tanto em jornais, como em livros e publicações outras. No livro “Piracicaba Política – História que eu sei (1942/1992), deixei registrado o que vi, li, ouvi, estudei e do que participei em todos estes anos da vida política piracicabana.

Não posso escrever sobre a morte do político João Herrmann Neto porque, dentro de meu coração e em meu sangue, a dor da perda é a de meu primo – irmão, sangue de meu sangue, Joãozinho Herrmann, filho de meu tio João e de minha querida Tia América, irmã de meu pai. Para mim, foi um primo muito querido que morreu, pouco importando divergências políticas, discordâncias ou análises.

E meu coração me transporta à pequenina cidade de Cosmópolis, onde passava as minhas férias de infância, a Usina Ester, a colônia, a represa, o riacho. E meu primo Joãozinho, cinco anos mais novo do que eu. Lembro-me com nitidez doída: Joãozinho, com seus cinco anos, eu aos meus 10, correndo por aqueles campos, minha tia nos chamando para almoçar. E, sempre teimoso, Joãozinho recusando-se a comer. Então, lá me ia eu, contando histórias para ele, enganando-o, para lhe enfiar boca a dentro algumas colheradas de arroz com feijão.

Nunca imaginei que aquelas duas crianças iriam se cruzar pelo resto da vida não apenas como primos, mas como jornalista, um deles, político, o outro. Certa vez, Joãozinho, rebelde, recusando-se a que eu lhe desse comida na boca, me atirou um pedacinho de telha na cabeça. Não me atingiu, passando de raspão. Corri atrás dele, apanhei-o pelo braço, fi-lo acompanhar-me para ver onde eu colocaria o caco de telha. Era num canto da caixa d´água, na casa ajardinada da Usina Ester. E eu lhe prometi que, quando ele crescesse, nós dois iríamos recolher aquela pedrinha e, então, ele iria pedir-me desculpas. Nunca mais voltamos àquele lugar. Joãozinho não precisou pedir-me desculpas como nunca precisei lhe explicar porque o jornalista fez oposição tão firme ao político.

Que o mundo e as pessoas falem, comentem e reflitam a respeito da morte do deputado federal João Herrmann Neto. Eu quero dizer, apenas, da minha tristeza pela morte inesperada, tola, trágica de meu primo Joãozinho. E que nós, familiares, nos consolemos em busca do significado de uma pessoa querida morrer no domingo da Páscoa da Ressurreição. Bom dia.

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