O ruim irá piorar

Agentes Polícia FederalSe o ex-presidente Lula ainda não disse, não demorará a dizer: “Nunca, antes, neste país, a Polícia Federal trabalhou com tanta energia e eficiência.” E – mesmo com dor no coração – ele terá dito a verdade. Pois a PF dá novo ânimo aos brasileiros, colocando corruptores e corruptos no mesmo patamar e, finalmente, desvendando o casamento pernicioso entre empreiteiros e políticos.

Ora, desvendar é tirar a venda. Isso significa que sempre se sabe quando algo está oculto, vendado. Basta a coragem, a audácia e o dever – nas coisas públicas – de desvendar. E, então, revelar. Esse dever tem sido dissimulado pela pérfida aliança entre os poderes político, econômico e ideológico. Eles criaram o que, hoje, se chama “jaulas de aço”, aprisionando povos e nações. O mundo tornou-se vítima da terceira fase do capitalismo – nascido para promover o progresso – que é, agora, a do capitalismo monopolista-financeiro.

O capitalismo – na sua expressão mais legitima – tinha uma fórmula, a D+P=D. Ou seja: dinheiro+ produção = dinheiro. Com o neoliberalismo, a fórmula mudou: D+D=D (dinheiro + dinheiro = dinheiro).  E, quando o lucro a qualquer custo é a mola mestra, não há ordem moral que resista, provocando, na desordem, o desmoronamento também ético. Todo o poder está centrado, agora, no sistema bancário, nas grandes corporações e no mercado, este, como senhor de todas as coisas.

A Petrobras não é exceção à regra e não o poderia ser, tratando-se de um dos principais agentes do mercado internacional. Em todas as partes do mundo e em todos os setores da atividade produtiva estouram e explodem escândalos e revelações de corrupção. Não tem havido exceção, a não ser entre os excluídos da grande jogatina. A Petrobras é um dos membros importantes desse cassino mundial. Assim, da mesma forma como a corrupção em bancos abalou a economia mundial, as revelações da empresa brasileira nesse campeonato mundial haverá de trazer conseqüências ainda imprevisíveis.

De qualquer maneira, foi dado um grande, imenso passo, como a repetir o ocorrido na Itália, com a Operação Mãos Limpas que desbaratou – sem, porém, conseguir extinguir – os grupos mafiosos. O enfrentamento à corrupção é luta árdua, persistente, por assim dizer inesgotável. Seu resultado, tristemente, parece semelhante ao da massa de pão: quando mais se bate, mais cresce.

Essa boa expectativa que a Polícia Federal desperta – e a perspectiva que passa a animar – deveria motivar, porém, preocupações mais profundas, que busquem respostas para se atacar as causas, os princípios e não, apenas, o efeito. Aliás, há que se discutir, ainda, se a corrupção é causa da amoralidade do capitalismo monopolista-financeira, se é este, a causa primária da grande corrupção.

As lamentações farisaicas quanto ao aumento do desemprego no Brasil – que ocorrem, também, em todo o mundo – deveriam obrigar-nos a reflexões mais profundas sobre as perplexidades do mundo atual. As grandes conquistas tecnológicas trazem benefícios admiráveis. No entanto,  criam buracos negros imprevisíveis. Quanto mais tecnologia, menos trabalho tradicional e mais mão de obra especializada e qualificada. Em proporções muito menores, aconteceu na Revolução Industrial, com impactos terríveis junto às populações menos preparadas.

Não se trata de pessimismo, mas de um olhar reflexivo, indagativo e de realismo: como criar empregos para multidões profissionalmente desqualificadas? Hoje, o analfabeto não é mais aquele que não sabe ler, ou o analfabeto funcional. Diante das mandíbulas do mercado, analfabeto é aquele que não sabe inglês e que não domina a informática. O que sobrará para eles? Como sobreviverão, se nem no setor de serviços conseguirão espaço?

Os sistemas costumam carregar, consigo, seu próprio veneno. Matam-se. Já acontece, no mundo, com o neoliberalismo. Os sinais são claros. O que está ruim ficará pior, desgraçadamente. E multidões desprotegidas e desvalidas, são elas que mudam a história. Pela violência. Se a grande força multinacional do tráfico de drogas e de prostituição vierem a abrigá-las, quem terá coragem de, conscientemente, condená-las?

Aproximam-se  a Hora H, o Dia D. Bom dia.

1 comentário

  1. Antonio Carlos em 19/11/2014 às 17:59

    Beleza, Cecílio. Acrescento ainda que há pouco Joaquim Barbosa era o super-herói caçador de ladrões. Agora é a Polícia Federal. Um povo que precisa de heróis é um povo falido. Quando, afinal, criaremos vergonha e nos tornaremos – todos sem exceção – cidadãos de verdade, dignos de um dos países mais lindos e ricos do planeta?

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