Obama bla bla bla

O que o mundo viu, também a partir de Copenhague, foi uma virada histórica na liderança mundial. De um lado, o esgarçamento cada vez mais doloroso de uma liderança, a do presidente Barack Obama, que parece ter existido apenas como expectativa; de outro lado, a influência de um torneiro mecânico que se tornou presidente de um país do então Terceiro Mundo e, agora, fala com a autoridade de um líder mundial, a partir de um país que se agigantou.

Os deuses parecem, na verdade, serem construtores da história, como se interviessem em forma de predestinação. Na vontade universal de mudanças, no consenso dos povos de todo o mundo, líderes são fabricados e líderes brotam como que do nada. O presidente Lula, cada vez mais, se revela um predestinado, pois não há racionalidade capaz de entender como pode um homem com sua formação precária chegar a um estágio de estadista reconhecido universalmente. Como se explica isso? Enquanto os ressentidos brasileiros de sempre teimam em desprestigiá-lo, o presidente Lula se transforma em referência mundial. E, agora, em Copenhague, recebe as reverências e o respeito de governantes e estadistas numa chocante contraposição à palidez de imagem e ao esmaecimento da liderança de Barack Obama. Este, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, o homem que despertou esperanças em todo o mundo, o detentor de um inexplicado Prêmio Nobel da Paz aparece, no cenário internacional, como um coadjuvante que não soube sequer interpretar o papel que lhe foi dado.

Tomara seja cedo demais para se admitir o fracasso de Barack Obama como líder mundial de uma nova era de esperanças. Tomara esse desalento mundial, diante da fragilidade de sua liderança, seja um equívoco coletivo. Mas Barack Obama, com um carisma impressionante como candidato à presidência dos Estados Unidos, se vem mostrando um governante fraco, sem carisma para comandar e impor uma liderança forte que pudesse colocar nos eixos seu próprio país, um dos maiores responsáveis pelo caos do mundo. Barack Obama aceita ser refém de um Congresso também carcomido, como é o dos Estados Unidos. Não se impõe, não consegue desfraldar bandeiras altivas, apenas negociando e aceitando remendos, colhendo acordos pífios, decepcionando um mundo que tanto nele confiou.

A própria presença física de Barack Obama perde brilho. O mesmo sorriso, o mesmo andar estudado, os mesmos acenos, o mesmo olhar vago como o de quem não quer enxergar o interlocutor, que é o mundo todo. Até dói pensar, mas Barack Obama parece um ator que não sabe mais qual é o próprio papel. Se desempenhou brilhantemente o de candidato, não consegue representar o de presidente e, muito menos, o de líder mundial. Quem diria que um torneiro mecânico do Brasil alcançaria mais admiração e respeito do que um brilhante e carismático intelectual de Harvard?

É uma pena, tomara seja passageiro e também um equívoco mundial. Mas Barack Obama simboliza, hoje, o homem do blá, blá, blá. O azar é que o discurso já não mais merece crédito. Decepcionante. E pior ainda: sem indicações de recuperação, de retorno, de reversão de expectativas. Bom dia.

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