Outono

picture (12)Se nos tem faltado estímulos para reflexões, eis aí a chegada do Outono. Sei que alguns dirão ser tolice minha, mas não importa. Mesmo porque estamos precisando um pouco menos de racionalismos estéreis e muito mais de entender o ritmo da vida.

De minha parte, tenho aprendido, como se fosse índio, a enxergar os sinais da vida, a me deixar conduzir por esses mistérios do universo. Começa por deuses e demônios: eles existem e são muitos. Há deuses para tudo: para o amor, para a fertilidade, para a luta, da cólera, da ira, os bonzinhos e os irritados. Também, os demônios: assanhados, travessos, ruins, maldosos, todos eles existem. É preciso conviver com eles. E aprender.

Da mesma forma, pensou eu, temos que aprender com o ritmo da vida, esse ritmo incessante, esse girar do mundo que produz transformações no corpo e na alma. Basta parar e olhar par ao umbigo, percebendo o que acontece. Nada acontece apenas por acontecer. Assim, não é simplesmente acidental que haja manhã, que haja tarde, que hja noite. Em cada período do dia, somos uma pessoa.

Temos que nos descobrir. Como sou pela manhã, pela tarde, à noite. Pois o mundo gira e gira, mas não gira à toda. Há flores, por exemplo, que se abrem apenas ao sol do meio dia. E outras que, como se tivessem rosto e olhos de ver, vão-se voltando em direção ao Sol. E aqueles que se abrem ou exalam perfume apenas à noite. Pois somos assim, também. Temos apenas que nos descobrir e, então, compreendermo-nos melhor a nós mesmos para, daí e então, aguardar que outros nos entendam melhormente.

Pois assim, também, acontece em cada estação do ano. Mudamos conforme a estação. Excitáveis ou modorrentos no Verão; macambúzios, no Invermo; alegres e amoráveis, na Primavera; reflexivos no Outono. Não seríamos, realmente, mutantes como as estações do Tempo? Até a Lua mexe com as pessoas. Mulheres contam a gravidez não pelo número de meses, mas pelo de luas.

Eis pois que Outono chegou. E é tempo de refletir, de estar, de ficar, de parar. São novas cores na alma, talvez mais sóbrias. Se o mundo gira e gira, é, em última instância, para dizer que há, pelo menos, um dia após o outro. E isso fortalece a esperança. Outono é tempo de pensar e preparar o grande silêncio que virá. Bom dia.

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