Para ser cidade olímpica

Creio ser das mais felizes a iniciativa da Prefeitura do município em pleitear seja, Piracicaba, uma das cidades olímpicas do país, entre aquelas, pois, com condições e estrutura para estimular atletas e forjar a juventude nos esportes competitivos. O esporte para crianças e adolescentes sempre foi uma das principais ferramentas para a formação do caráter e fortalecimento do espírito. Infelizmente, escolas relegaram a segundo plano a prática esportiva, permitindo que a infância e a adolescência se tornassem presas fáceis de desordens sociais.

Tão logo saiu a designação do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, escrevemos, neste cantinho, que Piracicaba deveria e poderia nutrir-se desse espírito olímpico que se espalha pelos setores saudáveis da sociedade brasileira, tornando-se uma “cidade cordial”. Pois ser cidade olímpica não é e nunca será apenas ter estrutura física para prática de esportes, mas viver um espírito de convivência civilizada que inspirou não apenas os gregos, mas o Barão de Cobertin, criador dos jogos olímpicos moderno.

Uma cidade olímpica é, antes de mais nada, uma cidade cordial, civilizada, educada, com identidade própria e com convicções comuns de destino. Piracicaba, desgraçadamente, é, hoje, uma cidade e um município preocupados preferencialmente com o crescimento da economia não de forma harmônica e sustentável, mas a qualquer custo, a qualquer preço. Uma cidade olímpica não despreza fundamentos essenciais da civilidade que, aqui, têm sido afrontados, a partir da própria Prefeitura, nessa escandalosa poluição visual de uma mal disfarçada e cínica publicidade de obras municipais. Ora, se obras já estão concluídas, é uma ofensa à inteligência da população a exposição de painéis que, um ou dois anos depois, ainda anunciam que são obras já feitas. Por que isso, senão por demagogia barata e desprezo à inteligência do povo? Piracicaba está agredida por uma insuportável poluição visual que Prefeitura, comércio e indústria e serviços, impunemente, lançam aos olhos da população. E por uma ainda mais criminosa poluição sonora, também sem qualquer punição, que estoura tímpanos do povo, através de altifalantes imorais que ecoam de igrejas, de casas comerciais, de veículos de propaganda, de chácaras com bailes e shows clandestinos, com estabelecimentos sem credenciais e fiscalização para espetáculos sonoros.

Uma cidade olímpica tem, primeiro, espírito olímpico e a Piracicaba de nossos ancestrais foi exatamente essa cidade que transudou cultura e educação por todos os poros, espalhando-os pelo Brasil. Não por acaso ou gratuitamente Piracicaba foi chamada de O Ateneu, de Florença Brasileira e, para pensar em olimpíadas, em a Atenas Paulista. Esse espírito tem que ser ressuscitado para que, antes de se tornar, Piracicaba volte a ser a bela, cordial e civilizada cidade olímpica de nossas origens. Bom dia.

Deixe um comentário