PIG e direito à opinião

PIGCresce, a cada dia, a manifestação de leitores, através da internet, contra o posicionamento da chamada grande imprensa em relação às próximas eleições brasileiras. De minha parte, penso estar havendo um equívoco de princípio e de direito. E ele alcança tanto a imprensa como leitores. Quanto à primeira, o equívoco se transforma em erro grave por não declarar abertamente a sua opinião, o seu posicionamento claro, a sua opção. Pois a imprensa tem o direito a ter opinião e a escolher candidatos, sendo necessária, apenas, honestidade para assumir a decisão ou a preferência.

A falha da grande imprensa – tida, agora, segundo o deputado Fernando Faro, como PIG (Partido da Imprensa Golpista) – está no esforço inútil de fingir imparcialidade. Não tem sido. E isso acaba configurando profundo desrespeito para com a população. Pois, repita-se, a imprensa tem o direito de apoiar candidatos, de se manifestar a favor deles, de se engajar em campanhas políticas, obrigada, apenas, a ser honesta e assumir suas escolhas. Isso não tem ocorrido, com um verdadeiro complô de informações que se repetem de veículo para veículo.

Quanto a leitores de jornais, o equívoco está em pretender negar, à imprensa, o direito a ter opiniões e a fazer escolhas. Nada há a reclamar se, honestamente, jornais escolherem seus candidatos e, também honestamente, defenderem-nos desde que abram espaços para opiniões em contrário. Ao leitor, cabe a principal arma que tanto atormenta os meios de comunicação: a leitura e a audiência. Deixar de ler um jornal ou de ver um canal de televisão ou ouvir uma emissora de rádio, é direito e dever de leitores, espectadores e ouvintes. E, também, o medo maior dos veículos, esse de perder leitores, assinantes e audiência. De minha parte, já deixei de assinar jornais e revistas que me pareceram facciosos e desonestos, incluindo em esfera doméstica, municipal.

Se veículos de comunicação têm direito à opinião própria e até mesmo a engajamentos ideológicos, não lhes é dado, por outro lado, o direito à engambelação, à honestidade de conveniência, a artimanhas de informação que levam ao que mais trágico pode acontecer a um povo: a má informação, a informação deformada. Pois se informar é parte do formar, informar mal é formar mal, desinformar é deformar. Os agora chamados membros do PIG – Folha, Estadão, Veja, Globo, em claro compadrio com PSDB e DEM – usam, cada vez mais, técnicas cada vez menos sutis. Um deles semeia um pequenino boato; outro o reproduz, acrescentando mais pimenta; um terceiro o divulga mais ampliadamente e, em rede nacional, tenta-se transformar qualquer tolice em escândalo nacional. E, na verdade, não passou de má fé de alguém desse complexo infame de desinformação e deformação.

Ora, por que a imprensa e emissoras de tevê nada mais falam sobre os escândalos das ambulâncias, dos sanguessugas, que desviaram imensas fortunas de um dos mais graves problemas do povo, que é a saúde? Por que não mais se fala de comissões de inquérito que investigam desvios monumentais, grandes negócios em relação a casas populares também no governo de São Paulo? Por que se silencia diante do descalabro da Educação em São Paulo? Por que tanto ódio a José Dirceu, como consultor de empresas, quando Pedro Malan, Armínio Fraga, outras figuras estreladas, são do comando de grandes complexos financeiro-econômicos? Essa desonestidade abala, junto ao povo, o respeito ao direito à opinião. Sem honestidade, não há opinião que mereça respeito. E, se os veículos são eletrônicos, a gravidade ainda é maior já que rádios e emissoras de televisão são concessões do povo a particulares e, como concessões, não podem se voltar contra os interesses do próprio povo. manipulando a informação.

Agora mesmo, quando o presidente Lula é recebido com honras e loas em Israel – tendo sido comparado por Shimon Peres, a um “César que semeia a paz” – criam-se embaraços com propósitos nitidamente políticos, no convite sibilino para o presidente brasileiro visitar o túmulo do criador do Sionismo. Ora, o Sionismo, movimento que originou o Estado de Israel, tornou-se, mesmo entre israelenses, uma questão também político-ideológica que divide a população. Seria quase o mesmo se, em visita ao Brasil, se convidasse Shimon Peres a visitar o túmulo de Getúlio Vargas, criador do trabalhismo nacional, em torno do qual há, ainda, controvérsias políticas. No entanto, o PIG se aproveita para disseminar dúvidas, suspeitas, levantar questiúnculas e confundir a opinião pública. Isso é desonesto. E quando jornais, revistas e emissoras de tevê se mostram desonestos, a opinião que manifestam perde o respeito. E a resposta é uma só: deixar de lê-los e de sintonizá-los. Pois, para a imprensa, também vale o que se diz para o homem comum: “O órgão do corpo mais sensível do ser humano é o bolso.” Perder assinantes e perder audiência doem na carne. E quem tem o poder sobre isso é a população. Bom dia.

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