Vacas estressadas e outros bichos

picture (26)Viver é perigoso, sim. Mas, também, divertido. Divertidíssimo. Corre-se o risco de enlouquecer, mas, sabendo-se manter o bom humor, ri-se muito.

Rio-me também da atividade jornalística. Lembro-me das casas de antigamente, de muros baixos, de cadeiras nas calçadas, a vizinhança falando sem parar, trocando idéias, fofocando. Os vizinhos faziam jornalismo. Pois jornalista é muito semelhante a um fofoqueiro. E jornalismo, uma arte também da fofoca, essa esplêndida invenção humana. E jornalista é, também, como a moça do Chico Buarque, que fica à janela, vendo a banda passar, encontrando mil motivos metafísicos para ir da crítica ácida ao elogio e vice-versa. É clássico aquele exemplo envolvendo Assis Chateaubriand, convidado a escrever sobre Jesus Cristo: “A favor ou contra?”, perguntou o pragmático.

No circo da vida, assunto não falta. O mundo é a grande calçada acolhendo as comadres do quarteirão. Dá, por exemplo, para fofocar sobre uma revelação dos cientistas de que as vacas estressadas produzem carne mais dura e ruim do que as vacas com temperamento mais calmo. Estas, as vacas calminhas, têm carne tenra, macia, doce. Ora, se acontece com vaca, tem que acontecer com gente, pensei eu. E, pensando, dei razão aos cientistas, pois me lembrei de alguns amores de minha vida. E das notáveis semelhanças entre homem e boi, vaca e mulher, sem ofensa para os bichos nem para os humanos. Pensando, concordei com os cientistas: realmente, mulheres com temperamento calmo são sempre mais doces, tem carne mais macia. E as estressadas ficam com rugas mais depressa, a pele seca e – eis o pior – chatas. Quanto aos homens, parece ser preferível sejam eles, tal e qual o irmão boi, irascíveis. Homem muito calmo relaxa demais. E isso nem sempre é bom.

Ao mesmo tempo, outro grupo de cientistas revelou a existência de alguns carneiros gays. Não me lembro de onde eram, mas sei que não de Piracicaba e região. Eram carneiros e gays, mas de outro lugar. Pois bem. Segundo os notáveis cientistas, o carneiros gays tinham uma atrapalhação qualquer no cérebro, sei lá que raio de área cerebral que lhes alterava a preferência sexual. Ficavam – segundo os cientistas, insisto – meio lelés da cuca. E trocavam a fêmea pelo macho. Deu-me um estalo e saí à procura de um amigo meu que, depois de velho, tornou-se gay, trocou a mulher por um homem, foram morar juntos. Troca esquisita: não deixou a mulher por um garotão, por um velhote como ele, quase setentão. Não entendi, mas o caso da vaca talvez explique: a mulher dele era azeda, o velhote era calminho, carne doce, ainda que passada. Eu lhe falei exatamento isso que os cientistas estão dizendo dos carneiros gays: “Você ficou lelé da cuca, meu!” Não imaginei fosse, a minha, uma verdade científica: como o carneiro gay, meu amigo devia estar com uma zona cerebral torta. Curioso, o destino de carneiro: já nasce manso, pode ter chifres e, conforme a confusão cerebral, torna-se gay… A vida é formidável.

É, pois, um mundo divertido. De um amigo, recebo uma reflexão internética: o mundo está gastando muito mais com implante de seios e com Viagra do que na pesquisa para enfrentar o mal de Alzheimer. Conclusão de internautas: “pode-se, pois, prever que, daqui a 30 anos, haverá uma multidão de pessoas idosas com seios enormes e com ereções monumentais, mas incapazes de se lembrar para o que isso serve…” Bom dia.

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