Vereador quer “roubar” o Bom Jesus

Bom JesusO vereador Laércio Trevisan parece ter-se especializado em bizarrices. Até que seriam divertidas ou engraçadas, não fossem atentatórias ao bom senso, às liberdades individuais e, agora, ao patrimônio histórico e cultural de uma cidade. Como ele gosta de mover processos contra todos os que discordam de suas bizarrices, já antecipo: não estou afirmando que ele tenha enlouquecido, que esteja louco. Estou, apenas, indagando, questionando, perguntando-me. E, como se sabe, perguntar não ofende.

Na verdade, lamento o descontrole e a perda de senso do Laércio Trevisan. Pois não se pode negar seja – ou tenha sido – um lutador por causas justas, um moço com potencial de liderança e que, na política, poderia ser útil à comunidade. No entanto, a perceptível perda de equilíbrio emocional, os seus rompantes incontroláveis, os fantasmas que inventa ou pelos quais é dominado – já comprometeram, irremediavelmente, a sua credibilidade. E afirmo  não se tratar de credibilidade que diga respeito à honradez ou decência, mas em relação a seu equilíbrio e sensatez como homem público.

Essa sua última iniciativa – de querer trocar o nome do Largo do Bom Jesus, pelo de um cidadão falecido – é espantosa pela absoluta falta de senso histórico e pelo desrespeito às tradições, memória e lutas de todo um povo. O Largo do Bom Jesus – da Igreja Bom Jesus do Monte – é um patrimônio intangível de Piracicaba e, em especial, dos valorosos moradores do Bairro Alto. (Ou ele, o vereador, vai querer, também, mudar o nome de Bairro Alto, de Cidade Alta?) Trata-se de uma história secular, de um espaço público sagrado, que faz parte de acontecimentos marcantes da vida piracicabana.

A história da Igreja e do Largo do Bom Jesus inicia-se em 1857, quando se tratava de apenas uma capela. Quantas e quantas gerações lutaram para erigir uma igreja, com um largo onde os fiéis pudessem se reunir, fazer suas quermesses, seus encontros, socializando-se fraternalmente? Laércio Trevisan não tem o direito de – para homenagear um cidadão, por mais respeitável este seja – “roubar” o nome sagrado do Largo do Bom Jesus. Ora, as cidades não vivem do profano, que este passa. A ancestralidade sobrevive do sagrado. Um povo,  se perder suas raízes e a sacralidade delas,  deixa de ser povo para se transformar num amontoado de pessoas.

Se os delírios de Laércio Trevisan continuarem, será bem possível que – para homenagear famílias de eleitores – ele resolva propor a mudança do nome do Largo de São Benedito, do Largo da Catedral, do Largo da Conceição. Ou – por que não? – mudar o nome das ruas Boa Morte, Rosário. Nomes de ruas – por mais discutíveis que possam vir a ser – são marcas de um tempo, espelhos de um momento da sociedade. Temos um exemplo lamentável: Avenida 31 de Março, que um prefeito do então MDB – ora, quem diria? – batizou para homenagear o golpe de 1964. Pois bem. Nem esse nome lamentável deve e pode ser modificado. Pois é parte de um momento da história, registro de uma filosofia dominante.

Laércio Trevisan – que poderia ser uma grata esperança na política – está cavando a sua própria cova, aproximando-se de um inevitável precipício. Seria uma provocação gratuita? Seria sinal de maluquice? Seria imaturidade? Perguntar não ofende. Mas não ter respostas e permitir que a infâmia se concretize, isso seria desrespeito à população e, também, irresponsabilidade dos que não regirem. Ora, tenha dó, Trevisan. Dá um tempo, moço! Bom dia.

19 comentários

  1. marco em 19/05/2014 às 20:54

    perfeita a colocação sr Elias. Texto muito claro, objetivo e irrespondível. só à curiosidade o nome do falecido, cujas honras estaria à altura do “Bom Jesus”, quiça até acima, segundo esse valoroso edil.

  2. Felipe Monteiro Costa em 20/05/2014 às 00:13

    Boa noite sr Elias. Que bom ler “a província”!!
    Ótima colocação sensata e de ótimo embasamento!
    Infelizmente esses são algumas das pessoas que nos representam.

    (não sei se lembra-se de mim…. olhe para o seu aquecedor e quem sabe irá se recordar… fui eu quem o levou ai à muuuuiiito tempo em sua residência)

    abrs

  3. Rafael em 20/05/2014 às 01:28

    o nome da avenida 31 de março podia sim ser discutido… mas concordo com o texto

  4. Eduardo em 20/05/2014 às 06:33

    Prezado Elias,

    O senhor Junior está procurando se eleger na base do felicianismo/bolsonarismo. Seria melhor largá-lo no ostracismo pois de certo teria menos visibilidade.
    Acredite, essas bizarrices tem público selecionado e não é preciso mais que 1% dos votos pra se manter vereador.

  5. Sonia Maria Delfini em 20/05/2014 às 10:53

    Muito bem dito Cecílio. Estava ansiosa por ler seu comentário e sabia que o mesmo não seria diferente. Obrigada. Sou nascida e criada ao redor do Largo do Bom Jesus e não posso concordar com tamanho absurdo.

  6. Paulo Moraes Junior em 20/05/2014 às 11:39

    Prezado Jornalista Cecílio Elias Netto,

    Primeiramente meus respeitos, segundo, quero dizer que não tenho projeto para mudar o nome da Praça Bom Jesus.

    Todo este fato é uma má interpretação ocorrida por questões políticas, o que estava sendo discutido era uma denominação da questão do Largo Seco em frente à Padaria, o qual a Prefeitura através de suas secretarias relatou que não havia nome. Mas parece que na política quando há interesses, mudam o sentido dos fatos.

    Enfim não há projeto para mudança do nome da Praça Bom Jesus, afirmo.

    Um Bom Dia.

    Laercio Trevisan Junior

    • Maria Paula Calderan em 20/05/2014 às 19:45

      “Caríssimo” Vereador, por gentileza, poderia nos responder também o motivo de utilizar outro nome para responder a postagem, e ainda, a pergunta que não quer calar: Não teria Piracicaba, uma cidade tão grande, necessidades maiores e carência de projetos que justificasse melhor o tempo e o salário “””caríssimo””” que empenhamos com a sua candidatura?

  7. Alvaro Saviani em 20/05/2014 às 12:07

    Conheço o Vereador Trevisan, e sei de suas atividades junto a Igreja. Isso que estão divulgando na imprensa não é verdade, ou seja, não existe projeto de alteração do nome da Praça do Bom Jesus. Trata-se de uma inverdade.

    • Sonia Maria Delfini em 20/05/2014 às 12:52

      E qual é a verdade? Diz o dito popular: “onde há fumaça, é porque já teve fogo”

  8. EU em 20/05/2014 às 15:08

    SEMPRE ELEEEE!! HAHAHHA

  9. Mario Francisco Bueno em 20/05/2014 às 15:15

    Voce elege um vereador para ouvir isto,tenha dó Laercio,pelo salario que vc ganha vai procurar alguma coisa que seja útil pra nossa Piracicaba.

  10. Bem informado!!! em 20/05/2014 às 16:43

    Noticia distorcida. Deveriam se informar na integra antes da divulgação. O povinho para julgar o próximo. Conheço o Vereador e não é nada disso…..Gente se informe antes de criticar, fofóca é muito feio!!!!!!

    • Mal Informado em 20/05/2014 às 21:32

      Também conheço o vereador. Logo, posso dizer que ele, assim como a maioria de seus colegas, não é qualificado para o cargo que ocupa.

      • Bem informado em 21/05/2014 às 08:47

        Talves vc seja qualificado para o cargo. não acha?????

        • Sonia em 22/05/2014 às 12:03

          Cuidade Sr. Vereador Laércio Trevisan com as respostas que dá ao povo Piracicabano. Não se esqueça que aqui mora e vive a sua “base eleitoral”…….

  11. Lucas em 20/05/2014 às 16:50

    O que??? Só porque é marca de um tempo não pode ser discutido e alterado? Que absurdo.

    31 de Março é o dia de um golpe militar, de um atentado gravíssimo contra a democracia brasileira. Puxa!! Como deixar incólume uma homenagem a um período da história repleto de torturas, exílios e mortes.. Que deixa até hoje incontáveis famílias sem saber o paradeiro de familiares desaparecidos?

    Não tem nada que ser lembrado com glórias ou honras. Qualquer democrata deveria ter desgosto em utilizar essa via, assim como as inúmeras rodovias estaduais… Aplaudo os cidadãos de São Paulo que colaram nomes mais louváveis em cima das placas da Av. Castelo Branco (marginal tietê)….

    E se houvessem ruas glorificando a escravidão? Prezando pelo racismo deliberado, às claras, que existia durante o século XIX e começo do século XX? Você defenderia o nome da rua da “supremacia racial”, como foi muito defendido pelas elites de nosso país?

    A nossa história é sombria, e devemos lê-la não como algo intocável, mas sim como algo para nossa reflexão… E, nesses casos, como algo revoltante.

    Mas pelo jeito o senhor Trevisan Júnior não está fazendo nada disso também, quem dera… Hehehe.

    Abraços.

  12. Antonio Roberto Toledo Lopes em 20/05/2014 às 19:27

    Em despretensioso comentário, entendo que os fatos históricos, são, por óbvio, imutáveis e estão registrados, fundamentalmente, por conta de produzidos em algum momento da vida humana. Em que pese sejam bons ou maus os retratos da história, não significa, necessariamente, que devem ser glorificados e cultuados ou odiados e esquecidos. Se assim fosse, como explicar o Holocausto que o povo judeu faz de tudo para não esquecer?

  13. Ricardo Orsi Rosato em 20/05/2014 às 21:38

    A notícia visa unicamente denegrir a imagem do vereador Trevisan Junior ao qual tenho profunda admiração e respeito. O VEREADOR TREVISAN JUNIOR NÃO QUER MUDAR O NOME DO LARGO BOM JESUS. Apenas batizar uma pracinha que fica defronte ao Largo, mas o Largo Bom Jesus jamais e nunca sequer isso esteve ou está em discussão na câmara de vereadores. Antes de publicar melhor se inteirar dos fatos.

  14. Helio Almeida Rocha em 20/05/2014 às 23:05

    Largo Seco?? O que é isso?? Ali tudo é Largo Bom Jesus.

    Se quiser homenagear o ”Davanzo” ou outro nome qualquer – procure nos loteamentos que existem às pencas na cidade – já que muitos “projetos de lei” hoje nas sessões camarárias servem apenas para pedir corte de mato, tapar buracos, tirar postes, moções de aplauso, títulos honoríficos e outras coisas sem importância e que muitas se resolvem com um simples telefonema ao 156. Porque os vereadores não fazem uma viagem em suas luxuosas carruagens e vão até o Palácio do Governo de São Paulo e reivindicam o “VOLUME MORTO” – agora desviado para São Paulo – e obrigam o Sistema Cantareira a liberar água para cobrir as pedras do antigo e decantado Rio Piracicaba?? Ficar sentado no ar condicionado e não se preocupar com problemas gravíssimos que assolam toda a população da cidade – como saúde, educação, segurança, transporte etc -. é lamentável !!!

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