A presença da Polícia.

Nas últimas semanas, o noticiário dos veículos de comunicação começa a ter outras nuanças quando se refere às chamadas “notas policiais”. Agora, já não se fala mais e tanto da ação de bandidos, que esta continua, mas da ação policial, quer preventiva como atuantemente. A presença da polícia, na realidade, passou a ser, senão ainda fonte de segurança, demonstração de uma expectativa positiva no enfrentamento ao banditismo que de disseminou pelo país. A polícia, finalmente, age. E não apenas em Piracicaba, mas como resultado de ações decisivas e conjuntas de governos estaduais e do governo federal. Os municípios ficam limitados constitucionalmente à sua condição de coadjutores, mesmo assim condição importante e necessária.

Infelizmente, nos últimos anos, vínhamos insistindo para, em Piracicaba, delegados e policiais mostrarem, pelo menos, mais presença na cidade, nas ruas, nos lugares suspeitos, nos espaços considerados estratégicos. Os delitos se multiplicavam a olhos públicos, mas não havia coragem e vontade políticas para enfrentá-los pelo menos no sentido preventivo, pelo menos como presença. Insistíamos, batendo como que num tecla só: poder de polícia é poder político, político e policiamento tem a mesma raiz, da mesma forma como polido, polimento. É a polis, cidade, na raiz de tudo. Sem policiamento, não há polícia; sem polícia e sem policiamento não há ação política e, portanto, a polis entra em desespero.

Ora, e isso não é e nunca foi novidade. Até hoje, em qualquer cidade brasileira, há famílias que se lembram da presença da guarda-noturna, dos cabos e sargentos, das rondas noturnas, da cavalaria. Em Piracicaba, tornaram-se inesquecíveis personalidades como o Cabo Júlio e o Cabo Trevizan. A Polícia impunha respeito e era amada pela população. No entanto, nas duas ou três últimas décadas, a Polícia passou a ser temida, muitas vezes mais temida do que os próprios delinquentes.

Há sinais, pois, de uma reversão de expectativas. E de perspectivas. A Polícia atua, age, firma presença, há um novo ânimo na população, como que todos desejando o retorno de um tempo em que a Polícia era aliada e não inimiga. Foi a herança maléfica da ditadura: todos os que usavam fardas eram vistos como inimigos do povo, pois em defesa da tirania. Mas isso mudou há mais de 20 anos. E ninguém quis perceber. Agora, no entanto, surgem sinais positivos, alvissareiros de a Polícia voltar a ser aliada da população. Que seja prestigiada, pelo menos para que as áreas menos confiáveis não tentem retornar ao estado anterior, lastimável e necessário de ser esquecido.

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