Bandidos e greve de fome.

É, a greve de fome, um dos mais heróicos e extremos recursos criados pelo homem para enfrentar tiranias e violências à dignidade humana. O mundo jamais se esquecerá do Mahatma Gandhi, a “Grande Alma”, deixando-se consumir para dar liberdade ao povo indiano, tornando-se mártir de sua gente e paradigma para a grande potência mundial em que se transformou a Índia.

No entanto, outros que fizeram a “greve de fome” beiraram o ridículo, bastando citar o político carioca, Garotinho, e o bispo nordestino, D.Luiz, que a fez para protestar contra as mudanças no rio São Francisco. Quando se banaliza o sagrado, nada mais se faz do que, profanando-o, torná-lo profano. O banal pode tornar-se vulgar e a vulgaridade não merece consideração.

A tal “greve de fome” que o bandido Marcola e seus companheiros fazem num presídio de segurança máxima é uma afronta. Responsáveis por crimes terríveis, articuladores de outros que mantêm as populações em estado de alerta e inquietação, os bandidos chantageiam o estado de direito como se, na sociedade brasileira, tivéssemos perdido o respeito para com as instituições e o direito. Não podem ser levados a sério, homens que exigem dignidade sem mostrarem o mínimo respeito por dignidade alguma. Para eles, o estado mostrou toda a sua dignidade, seguindo os ritos processuais, fazendo prevalecer o direito e impondo-se a justiça. Presos, foram-no por força da lei, após esgotados todos os recursos legais a que tinham direito.

Ora, nas prisões ditas de segurança máxima, as condições de vida são melhores do que a de milhões de brasileiros famintos, dormindo sob viadutos, deitados em enxergas ou no chão, sobrevivendo ao deus-dará. A greve de fome de Marcola e de seu exército de bandidos é uma afronta ao Brasil, um país que não pode admitir que presos permitam se jogue no lixo a comida que daria para manter muitas e muitas famílias decentes, dignas, mas paupérrimas.

Talvez, seja uma boa idéia aproveitar a comida de Marcola e suas gangues e distribuí-la na periferia das cidades. Por que não?

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