Boaventura alerta Piracicaba.

O artigo do prof.Elias Boaventura, ex-reitor da Unimep, (V.aqui) é, antes de mais nada, também um grave e sério alerta a Piracicaba. Na verdade, um brado de alerta ao próprio governo federal, diante dos abusos e descalabros que se cometem em nome da educação neste país. Universidade é, insista-se, espaço especial – e, portanto, sagrado – de excelência na educação, de excelência no ensino, na pesquisa e na extensão, voltada à comunidade. Não for assim, universidade será, como parece ser a intenção de alguns, apenas empresa mercantilista onde o objetivo primeiro é o lucro. A advertência de Boaventura é nesse sentido, alarmante e grave: a Unimep está à beira do abismo! E não se pode, mais, ocultar o Sol com a peneira, usar de eufemismos ou fazer o jogo das falácias: a responsabilidade é do Colégio Episcopal da Igreja Metodista. O aval da Igreja aos desatinos propositais de Davi Barros é um projeto, um propósito, uma banalização feita à luz da fé, mas à sombra do direito e da legalidade.

Ora, a visão do prof. Elias Boaventura é de um acadêmico profundamente envolvido e comprometido com o processo educacional, de um metodista fiel e leal a valores pétreos de sua igreja e, também, de um ex-reitor que, tendo forjado a identidade da Unimep, viveu os dois lados: do comando e do Conselho Diretor. Ocorre que Boaventura vai mais além, um alerta que nos alcança e que precisa, conforme vimos insistindo, mobilizar Piracicaba: a Unimep está sendo descaracterizada, apequenada, amesquinhada, preparando-se para ser sucursal da Universidade Metodista de São Bernardo, onde Davi Barros organizou seus próprios estatutos. Em São Bernardo, há um projeto de igreja que nada tem a ver com universidade, com a autonomia universitária e com o que foi a Unimep também para Piracicaba.

Elias Boaventura coloca os pingos nos is. E será lamentável se Piracicaba não perceber que se está fazendo um grande esbulho contra os interesses piracicabanos, especialmente contra as crenças e a boa fé de gerações anteriores, sem as quais a Unimep não existiria. Quando os professores falam, às claras, que se sentem traídos pela Igreja Metodista, dão um sinal óbvio de que não haverá saída para essa pequenez arquitetada. E, ao mesmo tempo, eles dão a senha para Piracicaba olhar Davi Barros como um traidor da história piracicabana e o sonho metodista, um traidor dos ideais de Martha Watts que empolgaram Prudente de Moraes e que, a partir da década de 1960, embalou os piracicabanos que descendem, em dignidade, da linhagem dos Moraes Barros. A Unimep é, especialmente, de Piracicaba. São Bernardo é outra história.

Davi Barros defende interesses e propostas religiosas. Isso serve para igrejas. Mas é inadmissível em universidades. A menos que se admita, se triunfarem essas nulidades, que a Unimep passe a defender a tese “criacionista” do Universo. Para Davi, alguns bispos e aliados, “é a vontade de Deus” acontecendo. Se for, alguém está atrapalhando. E não é Deus.

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