Câmara, prédio e povo.

Era inevitável que a proposta de construção de um anexo ao prédio da Câmara de Vereadores provocasse discussões e levantasse dúvidas. A questão do terreno – se pertence ao município, se à Irmandade de São Benedito – até que poderá ser mais facilmente resolvida, ainda que possa demorar. A resolver-se, está a reação da opinião pública, para quem a classe política entrou num desgaste por assim dizer irreversível.

Na realidade, pensamos nós, o importante seria aproveitar esse momento para uma reavaliação da função e da responsabilidade do vereador nas cidades brasileiras, especialmente as interioranas. O povo, em sua grande maioria, não sabe o que seja e para quê sirva a atividade do vereador. Ora, o Poder Legislativo é, no sistema político dos países livres, poder eminentemente popular. Câmaras, Assembleias, o Congresso são – pelo menos, foram idealizados para que fossem – “casas do Povo”, sem metáforas ou simbolismos, mas real e verdadeiramente. Pois é junto ao Poder Legislativo que o povo deve ir e levar seus protestos, anseios e reivindicações. Nunca é demais lembrar: no Legislativo, estão os que receberam representação popular, de maneira mais ampla do que em relação ao Executivo.

Infelizmente, a imagem das câmaras de vereadores – como que acompanhando a das assembleias e em nível também federal – desgastou-se por incúria dos representantes e, também, por cansaço e desânimo da população. Hoje, até mesmo de forma injusta, há uma generalização absurda em relação à classe política. Mas, na realidade, esse desgaste moral e de credibilidade se estende a quase todas as atividades humanas na rede social brasileira, talvez também em dimensão mundial. A vitória do neocapitalismo criou a filosofia do “levar vantagem” sempre. E isso se estendeu a quase todas as classes e categorias sociais, mas de maneira mais evidente na classe política.

Talvez, essa discussão em torno de um novo anexo para a Câmara de Vereadores pudesse despertar a consciência de ter chegado a hora – ou, então, de ter passado, quem sabe? – de população e vereadores se reencontrarem em torno dos interesses maiores de Piracicaba. Para que serve um vereador? Qual a sua função? Qual a sua responsabilidade? Quantos correspondem à representação que lhes foi dada?

É hora, certamente, de a população redescobrir que vereador não existe apenas para dar títulos disso ou daquilo, fazer moções de aplauso ou de pesar.

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