Catedral, Semana Santa, emoção.

Há os que dizem nada acontecer por simples coincidência. Tenho lá minhas dúvidas, cepticismos enraigados. Na crônica “Bom Dia”, fiz divagações sobre semanas santas, silêncios, reflexões, mudanças de tempos e, também, de emoções à flor da pele. Continuando a escrever, recuperei parte de um trabalho antigo, narrando a construção da Catedral de Santo Antônio, iniciativa do primeiro bispo diocesano, D. Ernesto de Paula, em 1946. (Clicar na secção MEMORIAL DE PIRACICABA, Estudos Piracicabanos.)

Ao buscar uma ilustração – pensando, inicialmente, na figura de Santo Antônio – encontrei uma foto antiga, quase sexagenária, que congelou no tempo péssoas da época, com sua maneira de trajar-se, as obras, o trator na praça e… Eis a emoção: ao fundo, um bar na esquina com o nome “Café Imperial”. Ora, era o bar de meus pais, Tuffi e Amélia, o lugar onde nasci, atualmente Banco Sudaméris. E a confusão de sentimentos, o cepticismo atingido, abalado: aquela mesma esquina – sem eu ter-me dado conta do que fizera – eu a reproduzira, em foto de autor desconhecido, na secção “Cena Muda”, deste Secos & Molhados. Era outro bar, o “Daytona”, famoso na década de 1970, ponto de encontro da juventude. E o detalhe que me escapara, num lapso “memoriae” altamente signficativo para quem não quer pensar em Semanas Santas: o “Daytona” – que ocupou o lugar do “Café Imperial”, de meu pai e onde nasci – pertencia a um de meus mais queridos tios, Antônio Elias, o Toninho. Hei que admitir a verdade shakespeariana : “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia…” Preciso, cada vez mais, respeitar o mistério.

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