Cidade poluída, cidade triste.

Marcas registradas da atual administração da cidade não são o festival de semáforos, a festa de pontes e rotatórias, esse delírio entusiástico em relação ao trânsito e em favor de veículos. A marca registrada é o menosprezo pela população, na forma de uma poluição visual humilhante e desagregadora. O prefeito, ao seu estilo personalista e nebuloso, provoca a paciência da população, como o faz desde o início de sua carreira ainda quando estudante, transformando fragilidades pessoais em ranços ditatoriais. Ele provoca para encontrar reação e ter, assim, oportunidade de manifestar seu horror ao belo, ao civilizado, ao correto. Há que, sempre, haver sombras, penumbra, nuvens e, portanto, feiúra.

A Câmara de Vereadores, com seu silêncio cúmplice ou com sua incapacidade der agir como verdadeiro poder institucional que é, está sendo desmoralizada pelo prefeito e aceita a desmoralização. Pois diversos pedidos e solicitações já foram enviados ao Executivo no sentido de se bloquear e de se interromper a “poluição visual oficial”, malandra e desrespeitosa, com “obra número tal” e, também, com “obra concluída”. Há anúncios de “obras concluídas” que já fizeram aniversário. O ridículo cai sobre a cidade, pois, se está concluída, não precisa ser anunciada.

Gente moça e atenta – ver em Idéias – começa também a reagir, saturada, sentindo-se ofendida por descaso, desprezo e desrespeito acintoso da Prefeitura para com a população. E, como contraponto, temos o exemplo esplêndido de cidades da região, incluindo Campinas, que celebram o final de ano e as festas natalinas com verdadeiras obras de arte, em clima de harmonia, alegria e paz.

Cidade poluída é cidade triste. Essa tristeza, em Piracicaba, nos acompanha nos postes da cidade, nas placas, em outdoors, como se, realmente, a administração municipal estivesse voltada aos interesses de poucos, na melhor política da economia neoliberal, a de estabelecer parceria com poderosos. Quando a própria Prefeitura é responsável pela sujeira, não há muito que se esperar. A não ser que se abram avenidas, que se criem pontes e rotatórias para as pessoas, com seus carros, irem alegrar-se nas cidades vizinhas…

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