Corrupção, crime hediondo.

O silêncio de muitos diante da deslavada corrupção que acontece na vida política e pública nacional é um dos motivos da disseminação do vírus da desonestidade que corrói as estruturas da nação. A juventude brasileira está diante de um lodaçal que lhe impede alimentar sonhos e nutrir esperanças. A corrupção de homens públicos é um, senão o maior, dos grandes males da nação, pois, quando líderes se corrompem e dão o mau exemplo, perdem-se os referenciais. A exemplaridade é motor propulsor de um país, de uma sociedade. Tanto para o bem quanto para o mal.

Infelizmente, até mesmo parte da imprensa tem-se mostrado leniente diante da corrupção endêmica, uma praga que se espalhou por todo o Brasil, atingindo municípios médios e pequenos. É altamente comprometedora a “seletividade da indignação” de grande parte da imprensa, como se, para protestar e denunciar, tivesse que fazer a seleção entre os “da casa” e os “da vizinhança”. Aqui mesmo, em Piracicaba, há jornalistas, cronistas, colaboradores de jornais que se indignam e protestam com veemência contra o que acontece em Brasília e até mesmo com os mínimos passos do presidente Lula. E, lamentavelmente, se calam, fingem não ver e não saber diante de escândalos municipais, da corrupção que envolve o nome de Piracicaba através de políticos e de empreiteiros. Essa “seletividade” no combate à corrupção é um dos males maiores que atrelam o país ao atraso e à desesperança, pois desestimula idealismos e bloqueia a caminhada altiva da juventude.

Uma campanha, liderada pelo empresário Oded Grajew – criador da Fundação Abrinq e atual diretor do Instituto Ethos de Empresas de Responsabilidade Social – é um alento para nação, pois pretende enfrentar, a ferro e fogo, a corrupção nos meios políticos, considerando-a “crime hediondo.” E é. Pois não pode haver crime mais hediondo do que o de políticos que roubam – e essa é a palavra – dinheiro do povo, destinado à educação, à saúde, à casa própria, a obras de infraestrutura. O nome disso é, na verdade, banditismo. E o pior deles, pois são homens que ocupam cargos de altíssima responsabilidade e que, por isso mesmo, deveriam ser exemplos para a população. Quando se transformam em bandoleiros, a pena deveria se agravar, pois usam de cargos, de informações privilegiadas, da confiança do eleitorado para enriquecimentos ilícitos, num crime hediondo contra a nação. E pior ainda: quando investigados, inquéritos e processos correm em “segredo de justiça”, como se se privilegiasse, também, o crime oficial.

A campanha de Oded Grajew deveria ser, também em Piracicaba, seguida e aplaudida. E, num primeiro momento, de repúdio público aos envolvidos, denunciados e suspeitos de corrupção que, muitas vezes, nas colunas sociais, posam de homens bons ao lado de pessoas de bem. Há que se separar o joio do trigo: quem frequenta políticos corruptos é no mínimo suspeito também de corrupção. E, portanto, de cúmplice em crimes hediondos. O empresariado decente, digno e lutador de Piracicaba deverá, certamente, cerrar fileiras em torno da campanha nacional de Oded Grajew. E o exemplo começa em casa.

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