Davi, bobo da corte?

Pessoas há que certamente ignoram a história. Ou, talvez, em sua loucura pensem poder, queimando papéis, destruir arquivos, apagar a memória tanto coletiva como pessoal.

Em geral, o que as move é uma completa inadequação aos ambientes com os quais convivem. Sabem eles que, caso a história ganhe força e peso, suas figuras se tornam tão minúsculas, tão risíveis, por vezes quase desaparecendo, façam o esforço que fizerem. Davi Ferreira Barros parece ter agido, sempre, sob o signo destas características.

Quando tenta construir, ele o faz com uma qualidade tão escandalosamente de terceira e quarta categorias, que nada permanece em pé por mais do que alguns meses. Quando tenta atrair adeptos em torno de suas limitadas idéias, só consegue realmente cooptar aqueles para quem o carreirismo e a ambição são opções de vida. Quando tenta enfrentar até mesmo o que acredita serem arbitrariedades legais, só consegue trilhar um caminho onde pouco falta para que se torne réu confesso.

Mas talvez nada exista de mais abjeto do que a falta de respeito que Davi Ferreira Barros demonstrou, ao final da última semana. Ao tomar conhecimento de artigo enviado pelo ex-reitor Elias Boaventura aos bispos da Igreja, Davi manifestou-se numa tentativa, no mínimo insana, de desmoralizar e tentar desacreditar uma figura que, historicamente, na Universidade, talvez represente e seja capaz de reunir em torno de si a admiração, respeito, cuidados dos mais diferentes segmentos da comunidade. ( para não se comentar as tantas outras críticas tão desrespeitosas quanto, feitas à administração Maia-Alvim).

Elias Boaventura, mesmo quando discorda de seus oponentes, os ouve com paciência. Elias Boaventura, mesmo quando lhe tentaram afastar da Universidade que construía, em 1985, foi reconduzido ao cargo, com o assentimento formal dos bispos metodistas, de toda a estrutura eclesiástica, da Justiça. Por mais que se falasse que a Igreja iria afastá-lo antes do cumprimento integral do mandato e até mesmo uma carta coletiva de demissão dos cargos tivesse sido entregue aos bispos, ele permaneceu frente à Universidade.Elias Boaventura, se não teve unanimidade da comunidade interna, em todos os momentos em que nas idéias e iniciativas mais de vanguarda do país eram apresentadas, aglutinou ao seu redor a maioria de alunos, professores e funcionários.

O que Davi Ferreira Barros faz, ao tentar desmoralizá-lo, tem semelhança com as piruetas de antigos bobos da corte que, na obrigação de terem que divertir a platéia de reis, servia-se de todo tipo de artifício, temerosos de perderem sua vaga, seu cargo, sua proximidade junto ao conforto do poder.

Davi Ferreira Barros sabe – e nunca contestou, ao longo dos anos que se passaram, seja em artigos ou reuniões educacionais da Igreja até assumir a reitoria da UNIMEP – o entendimento de que a tentativa de alijar Elias Boaventura da Universidade teve realmente o cunho ideológico. Tanto assim que ele mesmo admite que a dívida foi devidamente paga no período de alguns anos, embora apontada, àquela época, como causadora da crise. Ao dizer que para pagamento dos salários eram necessários empréstimos, deveria ele acrescentar que apesar da dívida, professores e funcionários, respeitados, nunca deixaram de receber. E afinal, ao acertar todas as suas pendências trabalhistas dias atrás, Davi deveria também ser honesto para também admitir que só o fez. por finalmente conseguir um vultoso empréstimo junto a um banco com o qual negociava há meses.

Elias Boaventura certamente faz com que Davi Barros tenha medo. Porque ele se sabe só, cercado de mediocridades, incapaz de reunir em torno de si mais do que dez pessoas se um comício tentasse fazer. E Davi Barros certamente sabe que, certamente, ao brigar, desde outubro de 2006 com a UNIMEP, tentando mudá-la, está brigando com a alma da instituição. E nela, Elias Boaventura tem espaço privilegiado, respeitado e aplaudido. Por educadores. Pelo país. Pela história que o tempo irá contar.

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