Doutores e mestres desprezados. E a indenização?

Quem se der ao doloroso trabalho de examinar a lista dos professores dispensados pelo reitor Davi Ferreira Barros haverá de sentir a assustadora sensação de alguém que jogou fora, como se fosse matéria imprestável, verdadeiras jóias da inteligência. Ultrapassa a centena os professores titulados como doutores e mestres, com renome internacional e serviços relevantes prestados, ainda agora, à educação e à pesquisa.

Como uma universidade se pode dar ao luxo de dispensar, por e-mail, figuras de prestígio internacional? São doutores e mais doutores, mestres e mais mestres, numa escala admirável de prestígio e de renome profissional que, com uma penada de um reitor que prefere ser executor de um plano de terra arrasada, fala em critérios de demissão sem explicar quais sejam. Ora, a questão idade não é, pois a vice-reitora, professora Rinalva, já beira os 80 anos. E quanto valem a experiência, o conhecimento, a sabedoria, a competência de doutores e mestres consagrados para uma universidade? Como é possível imaginar que se jogue fora o trigo para vir a contratar-se possíveis joios?

Só de doutores, uma contagem rápida chega a 80 deles dispensados. Há profissionais com 35, 25, 15 anos de atuação na Unimep, responsáveis por grandes trabalhos de pesquisa e de orientação a mestrandos e a doutorandos. O manifesto dos remanescentes é um alerta dramático, pois fica constatado que a universidade se esvazia de muitos de seus mais qualificados profissionais, abrindo-se vácuos que Davi Ferreira Barros deverá preencher conforme os salários mais baixos do mercado. Profissionais sem qualificação acabarão desqualificando também qualquer universidade que se dá ao luxo suicida de abrir mão de sua inteligência.

Há, no entanto, um outro perigo no ar. Se Davi Barros alega as grandes dificuldades financeiras, a falta de dinheiro até para pagar, se não dispensasse tanta gente, os salários de janeiro, como ele fará para pagar as justas e devidas indenização, que serão milionárias? Já se fala, intra-muros, que a Reitoria alegará necessidade extrema, apegando-se a filigranas da lei para evitar o pagamento de indenizações ou, então, dificultá-las, negociando acordo, pechinchando na bacia das almas.

Na verdade, Davi Barros negociou algumas das melhores inteligências da universidade para barganhar empréstimos bancários. Mas pagará as indenizações? Onde encontrará dinheiro? Ou haverá calote, mesmo com argumentos legais? Calote por calote, o tiro pode sair pela culatra: e se os alunos deixarem de pagar mensalidades? E se os devedores deixarem de pagar seus débitos?

Davi Barros levou a Unimep para a beira do fosso. Mais um empurrão, a casa cai.

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