E “O Cara” é o “Estadista do Ano”

O prêmio “Chatham House”, do Instituto de Relações Internacionais do Reino Unido, é concedido à personalidade mundial de maior destaque no ano. O instituto tem voz poderosa no mundo, manifestando-se em todos os grandes acontecimentos mundiais, do Irã ao Paquistão, do Haiti à África. A escolha do “Estadista do Ano” – prêmio que será entregue na 5ª.feira, dia 5 de novembro – recaiu sobre o Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, na verdade, parece ser mesmo, diante do mundo, aquilo que Barack Obama proclamou há alguns meses: “O Cara”.

Tivéssemos realmente espírito cívico e um mínimo de patriotismo honesto, estaríamos pelo menos emocionados diante de uma honraria que não celebra apenas a pessoa do presidente da República do Brasil, mas o povo brasileiro. No entanto, somos, não sei se por natureza ou se por preguiça mental, iconoclastas, numa doentia vocação para destruir ídolos, para minimizar o valor de nossa gente, para trabalhar contra o sucesso dos brasileiros. Rimo-nos das derrotas de Rubinho Barrichello, tentamos desmoralizar conquistas monumentais, como a escolha do Brasil para sede da Copa do Mundo de Futebol (1914), da Olimpíada (1916), o avassalador crescimento econômico que nos empurra para sermos, em breve, a quinta economia do mundo. Não se trata mais do maldito complexo de vira-lata, mas de um ciúme doentio, de uma inveja patológica de todos os que fazem sucesso, dos vencedores, nem que sejamos nós mesmos os vitoriosos, pois as vitórias de Lula nada mais são, na verdade, do que a vitória do Brasil. Do povo brasileiro.

Quando Lech Walessa foi eleito presidente da Republica da Polônia, todos exultgamos com a vitória de um trabalhador que venceu a força comunista carregado pelo apoio da Igreja Católica e dos católicos. Lech Walessa era, foi, à sua época, o símbolo de uma reação mundial contra a tirania. Mas, infelizmente, ele fracassou como governante e, hoje, se tornou uma memória rica de um tempo de reações e conquistas. No Brasil, quase à mesma época, a indicação de D. Helder Câmara para receber o Prêmio Nobel da Paz sofreu o boicote da imprensa, de intelectuais, de empresários e do próprio governo brasileiro. E quem – tendo vivido o ano de 1970 – pode se esquecer de como e quanto as esquerdas cegas e medíocres do Brasil se mobilizaram para que o povo torcesse contra a Seleção Brasileira de Futebol? Para as esquerdas, o Brasil tornar-se tricampeão do mundo, como se tornou, era um fortalecimento do governo militar. Mas o povo mandou às favas a estupidez política e viveu o orgulho e a alegria de sermos, ainda outra vez, os melhores do mundo em futebol.

Ora, já não somos mais uma promessa, somos uma realidade mundial. O Brasil saiu da condição de país enfermo, miserável, com um povo sem fibra e sem coragem, espécie de Jeca Tatu na vida internacional. Hoje, somos respeitados no mundo, temos sido exemplo de crescimento sustentável, de novas oportunidades e de nação que já deu o grande salto. E, no entanto, a estupidez política – além da mediocridade enferma de uma classe inconformada com o fracasso de seus muxoxos – cria obstáculos para um avanço que é irresistível, num tempo em que o amor próprio, o orgulho, a alegria de ser brasileiro volta a nos dominar com um sentimento de amor próprio recuperado.

Lula, o ex-metalúrgico, recebe o prêmio “Estadista do Ano”, de uma das mais respeitadas instituições do Reino Unido. Imaginar um ex-retirante de Garanhuns, um homem sem grandes estudos, um cidadão simples do povo, sentado ao lado da Rainha Elizabeth, num almoço oficial, recebendo um dos mais ambicionados títulos do mundo, isso é, no mínimo, comovedor. E motivo para alimentarmos uma força interior que há na nossa gente, no povo sofrido, nas classes distantes dos salões dos jardins ou dos corredores da Dazlu. Obama viu antes e acertou: Lula é mesmo “o cara”. E “o cara”, agora, recebe o título de “Estadista do Ano”, um reconhecimento internacional pelo que faz no e pelo Brasil, assumindo uma liderança regional incontestável, fazendo-nos ombrear com as grandes nações do mundo.

Quem não se render a essa evidência, convenhamos, não merece respeito. Pode ser, no máximo, torcedor de futebol, cego de paixão, mas tolo na razão.

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