Educar para a Paz.

Há poucos dias, dizíamos – contrariando pessimistas e desalentados – que os sinais de novos tempos, de novos rumos e de uma ampla saturação diante de um estilo de vida insuportável, sinais de mudança chegaram. E um dos avisos está na rejeição, agora, a tudo o que soe a jeitinho, a malandragem, a desonestidade, a caminhos tortuosos. O Brasil redespertou para a necessidade de preservar a lei, como ponto básico e fundamental para uma sociedade civilizada. A partir da lei, o cultivo a valores que pertencem aos princípios do espírito.

Essa movimentação, em Piracicaba, com o intuito de “Educar para a Paz” pode parecer, para alguns, algo utópico, sonhador, mas revela muito mais do que pensam os ainda pessimistas e desalentados: é a certeza de que não restou outra saída senão retomar do princípio de algumas coisas, para não se dizer que de todas. E o princípio é esse espírito de comunhão, de comunidade, o ser-social que o homem é muito antes de assumir a sua própria individualidade. Educar para a paz é movimentação de legítima defesa, pois ninguém mais suporta das guerras urbanas, a guerra do cotidiano, o desrespeito de todos os dias e de todas as horas.

Nas escolas, professores estão sendo abalados em sua saúde física e psicológica pela desordem nas salas de aula, pelos desrespeitos dos alunos que estão soltos no ar, sem conseguir estabelecer elos entre escola/lar, escola/família. Não há possibilidade alguma de educação formal, de ensino escolar, se, antes, não houver uma família minimamente estruturada para servir de referencial à criança. Mas isso é sabido, discutido, conhecido e debatido em todas as áreas. O mundo, no entanto, quando não se move, é forçado, como que por desígnios misteriosos, a seu “eterno retorno”.

O Colégio Anglo – que toma a iniciativa de estabelecer um fórum de discussão a respeito disso, com coordenação da psicólogo Cristina Racca – dá um testemunho vivo de que a escola não é, como querem alguns inclusive na área universitária, apenas uma “fábrica de diplomas” ou uma simples indústria de colação de graus. A escola é fundamento básico das sociedades humanas, como parceira da família. No fundo, no fundo, entendemos que esse fórum, “Educar para a Paz”, é menos uma iniciativa de um colégio e mais um apelo e um despertar às consciências adormecidas ou desanimadas.

Não há mais que se esperar de classe política, de decisões institucionais, de poderes constituídos que aguardam ser reformados. A hora é da sociedade civil. E educação começa exatamente onde sempre começou e onde se planta a paz: na família e na escola.

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