Enfim, na Câmara, a voz do povo.

Finalmente, a voz do povo se fez ouvir no espaço do poder político que dele emana: a Câmara Municipal. Até aqui, vinha-se estranhando e até mesmo lamentando o silêncio quase geral da Câmara de Vereadores, posicionamentos diplomáticos, ausências e indecisões. No entanto, na quinta-feira, com as manifestações, na Tribuna Popular, tanto do reitor da Unimep quando do presidente da Adunimep, mais a voz de alunos e de pais de alunos por seus representantes – a discussão chegou, finalmente, ao fórum adequado, dada a importância de que se reveste para Piracicaba: o Poder Legislativo.

E, se Davi Barros pensou fosse apenas este ou aquele analista que se indigna com suas atitudes depredatórias, perdeu excelente oportunidade de ouvir o desabafo indignado do vereador Euclides Buzetto, que acabou por sintetizar o que a alma piracicabana sente e lamenta: por quê o silêncio conivente da Igreja Metodista? Por quê esse posicionamento puramente mercantilista, a guinada em busca de mediocrizar uma instituição que tanto honra esta cidade e também os metodistas sérios e fiéis ao pensamento de Wesley?

Davi Barros não ouviu, pois saiu apressadamente do recinto da Câmara de Vereadores. Mas as palavras de Euclides Buzetto ecoaram através de rádio, da televisão e das fitas que irão circular como uma síntese da comoção coletiva. Piracicaba não acredita nos argumentos de Davi Barros, pois ele, inúmeras vezes, já demonstrou tecer armadilhas, usando de inverdades, de sofismas e de mentiras declaradas. Quando Almir de Souza Maia – homem que Piracicaba respeita e admira, cuja integridade nunca foi colocada em dúvida – explicou que a dívida da Unimep é contornável, revelando, também, o montante destinado à Igreja Metodista, passou-se a ter uma outra realidade: a Universidade, em sua crise, tem solução; a Universidade, em sua essência, não precisa de mudanças que a mediocrizem. E, infelizmente, haverá situações legais e morais que precisarão, a partir de agora, ser definidas.

Davi Barros tem precisado desmentir-se dia após dia. O vereador Euclides Buzetto fez-se, na tribuna da Câmara de Vereadores, a voz indignada de Piracicaba. E o jovem Tiago, estudante de economia, foi a voz da dignidade estudantil, da mocidade que ainda vê a Unimep como um templo de saber e de conhecimento: os moços não querem uma universidade qualquer, essa que Davi Barros quer construir a partir da destruição da gloriosa Unimep. Os moços querem ensino e educação com dignidade. Esse clamor até as pedras das ruas ouvem. Como é possível entender a surdez da Igreja Metodista? Ou, em seu messianismo, é Davi Barros que pensa ser a própria igreja?

Pela voz da Câmara de Vereadores, Piracicaba volta a falar. Será trágico pastores e bispos não ouvirem.

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