Hotel, no Engenho?

Desde o governo municipal de Cássio Paschoal Padovani, nos idos de 1970, Piracicaba luta para preservar o Engenho Central como patrimônio cultural e histórico de nosso povo. Há, por justiça e dever, de se reconhecer a grande movimentação feita pelo então prefeito João Herrmann Neto que deu o primeiro e gigantesco passo, ainda que incompleto e por muitos contestado, para assegurar a posse do Engenho. E louve-se, também, o prefeito José Machado, que voltou à carga após duas administrações modorrentas que o antecederam.

O Engenho Central é um patrimônio nacional. Na história do açúcar do Brasil, o Engenho se destaca com um dos pioneiros, com autorização especial do próprio Imperador Pedro II, para a notável atividade econômica que desenvolveu, ainda com o Barão de Rezende. Em paralelo àquele notável patrimônio, tivemos, ainda por obra do Barão, o parque hoje conhecido como “do Mirante”, obra que mereceu do crítico literário e intelectual de vanguarda, Sérgio Milliet, em uma de suas visitas a Piracicaba na primeira metade do século XX, a manifestação de deslumbramento: “Parece que estou na Suíça.”

O Engenho Central não pode ser banalizado. E um hotel, naquele lugar, parece-nos uma banalização mercantilista, pois implicaria num pressuposto falso, o de que Piracicaba tem estrutura turística e até mesmo vocação para o turismo. Ainda não têm, nem uma, nem outra. Nunca teve, a não ser o turismo agora chamado de ecológico que foi o turismo bucólico dos fins de semana que atraíam o próprio povo piracicabano e as cidades vizinhas. Turismo era fazer piquenique no Mirante. Ou o propósito é apenas o turismo de negócios, esporádico, com convenções esporádicas, que iriam desfigurar e violentar o espírito do Engenho Central? Piracicaba precisa de hotéis para convenções e esse turismo de convenções. Mas não lá.

A primeira manifestação contrária, que nos chega a A Província, vem do Tocantins, da escritora Patrícia Neme, que mostra a sua indignação ao mesmo tempo em que, dentro do espírito secular do Engenho Central, dá sugestões: “que as instalações do Engenho sejam aproveitadas num projeto sócio-cultural, centralizado num Liceu de Artes e Ofícios. Por exemplo, no resgate das artes da serralheria, marcenaria, tecelagem/ tapeçaria, restauração, luthierie… Além de principalmente capacitar uma população carente (geração de renda), tornaria Piracicaba um polo de bom artesanato, o que significa turismo e impostos.”

Que se ponha em discussão!

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