Igreja Metodista e dignidade da pessoa humana

Tudo o que se diga, hoje, da UNIMEP e do IEP, diz-se, integralmente, da Igreja Metodista, a atual. Pois foram bispos da Igreja e o Conselho Episcopal que se manifestaram em favor dos desmandos e desatinos cometidos per Davi Barros no comando da direção geral da instituição, acumulando o cargo de Reitor da UNIMEP, função que, com ele, perdeu a grandeza.

A UNIMEP/IEP tem, nos últimos tempos, acumulado derrotas junto à Justiça por desmandos, irregularidades e insistência em burlar dispositivos legais. O Ministério do Trabalho parece ter-se até, já, cansado de tantas irregularidades e desrespeitos cometidos por uma instituição que foi honrada, digna e exemplar, até ter sido tomada de assalto por Davi Barros e sua equipe, legítimos representantes da atual Igreja.

Em Piracicaba, a Igreja Metodista tem uma história mais do que secular de honradez, que se transferiu para o Colégio Piracicabano e para a UNIMEP. Foi essa honradez a grande avalista das instituições de ensino que, até a administração de Almir Maia, se tornaram exemplares num país onde a educação tem sido tratada como produto empresarial voltado às massas. Em Piracicaba, a Igreja Metodista deu qualidade à educação, foi exemplar e tratou alunos, pais e a comunidade com o respeito que igrejas e instituições sérias devem às pessoas e sociedades humanas.

Prestigiando e apoiando Davi Barros, no entanto, a Igreja Metodista tem mostrado que, dela, hoje, é possível esperar tudo, agora no sentido negativo. Pois seria absolutamente impensável e inimaginável que a Igreja Metodista viesse a ser condenada por violentar o que há de mais sagrado no ser humano, que é a dignidade humana. Mas – por ação de Davi Barros, no comando da UNIMEP/IEP – foi o que aconteceu: perante a história secular da Igreja Metodista, ela terá, a partir de agora, que carregar a vergonha, a mancha e o opróbrio de uma condenação da Justiça por atentado ao sagrado do ser humano.

A peça condenatória da Igreja Metodista – que é a mantenedora da UNIMEP e do IEP, avalista e apoiadora dos atos de Davi Barros – está inscrita nos anais da justiça, valendo a pena ser lida e guardada, para podermos chorar esses tempos negros em que uma Igreja e instituições, que tanto honraram Piracicaba, são condenadas por “ ofensa gravíssima ao princípio da dignidade da pessoa humana estabelecido no artigo 1º, III, da Constituição Federal de 1988”, conforme os autos.

É espantoso o Colégio Episcopal Metodista continuar indiferente a mais esse opróbrio. A menos que haja algum movimento – desconhecido por quem se escandaliza com o que ocorre – para desmoralizar, de vez, com a honrada história dos metodistas. Que, aliás, é contada, em parte, num livro sobre a vida e a ação educacional de Almir Maia, último diretor da instituição em seus tempos de respeito e de grandeza. Se uma Igreja é condenada por afrontar direitos humanos, nada mais se pode esperar de instituições que por ela sejam mantidas. A menos que seja Davi Barros e sua turma os que mantenham a Igreja, forçando clérigos fracos a trocarem honradez e dignidade seculares por pratos de lentilhas.

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