Insanidade, zombaria ou cinismo?

Davi Barros não deve ter lido o manifesto dos ex-reitores e vice-reitores da Unimep, homens íntegros e responsáveis que, por 28 anos, ergueram, tijolo por tijolo – inclusive os da muralha moral da universidade – daquela instituição que pessoas acostumadas questões puramente comerciais não conseguem avaliar. Ou Davi Barros leu e não entendeu. Pior ainda: ou leu e, como tem sido revelação de um seu feitio oculto, menosprezou.

O fato é que, aqui nestas colunas, advertimos que a “Nova Unimep”, de Davi Barros e do Conselho de negociantes, deixava, no ar, cheiro de injustiça e também de calote. E será simples e pobre eufemismo dizer não seja calote o que Davi Barros propõe aos professores que ele dispensou por e-mail, talvez sem coragem moral de olhar nos olhos de cada um, muitos dos quais seus antigos companheiros nos tempos em que Davi Barros ainda dissimulava suas ambições que não medem conseqüência. Pois esse reitor de uma universidade – que se mantém digna de suas origens a partir do manifesto de ex-reitores e vice-reitores – têm o desplante, a desfaçatez de dispensar doutores e mestres com a0, 15, 20, 25 anos de dedicação à instituição e, agora, dar um verdadeiro passa-moleque nos direitos que lhes são devidos. Pois, como se estivesse num armazém de secos e molhados – ou tentando arrematar bens no que se chamava “bacia das almas” – Davi Barros propõe pagar 50% dos direitos, divididos em 24 parcelas. Se o nome disso não é calote, ainda que dourado por lantejoulas jurídicas, é hoje, então, de entronizarmos os caloteiros no rol dos homens que ocupavam cargos que exigem magnificência.

Para falar a verdade, dá vergonha até de pensar que alguém tivesse a coragem de fazer o que Davi Barros está fazendo. Mas ele está fazendo e vergonha é questão pessoal. Só resta saber se a Igreja Metodista, pelo que ela tem de melhor numa três vezes secular história de amor à humanidade, coonestará esse calote proposto por Davi Barros, além da indecência de atitudes sem qualquer grandeza. Não se trata mais de saber se Davi Barros merece o cargo. Trata-se, agora, de, com firmeza, saber e afirmar que nem a Unimep e nem a Igreja Metodista merecem Davi Barros. Piracicaba também não.

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