Insuportáveis poluições visual e sonora.

“Civilizar Piracicaba”. Mais e mais. Cada vez mais. Esse sonho começou, oficialmente, no início dos anos 1940, com o então prefeito Jorge Pacheco e Chaves e animou todos os que o sucederam, com exceção de alguns. Na verdade, Piracicaba tem uma história de arte, de cultura e de beleza. Não à toa, foi chamada – não apenas a “Noiva da Colina”, como ainda hoje – mas de a “Pérola dos Paulistas”, a “Florença Paulista”, o “Ateneo”, a “Atenas Paulista”. Somos parte de uma história que envaidece e orgulha qualquer povo.

No entanto, conforme as ondas dos tempos e dos modismos, essa civilidade piracicabana – que não foi apenas das elites, mas da gente do povo – sofre golpes profundos, comprometedores, às vezes permitindo receios de serem irreversíveis. As últimas décadas têm sido de iconoclastia, de barbárie, de incivilidade. E temos nos cansado de insistir que há uma correção estreita entre palavras de raízes iguais: polidez, polimento, policiamento, relativos à “polis”. Cidade é “civitas”, do “civis”, cidadão, o civilizado. Da mesma forma como o político é da “polis”. E civilidade, polidez são atributos do civilizado. Civilizar Piracicaba significa, em instância mais simples, devolver-lhe atributos do passado, quando fomos exemplo de organização, de harmonia e de convivência para todo o Brasil. Esse é um trabalho ao mesmo tempo de políticos e da sociedade civil.

Ora, quando a ONG 2010 fala de desenvolvimento sustentável, quando estuda e radiografa os problemas de Piracicaba a organização nada mais está dizendo do que de uma cidade “para se viver”, com decência, segurança, expectativa e esperança de futuro. Cidades são lugares de se morar, de se constituir família, de amar, de nutrir objetivos claros na esperança de realiza-los. E, enfim, o lugar de morrer, o repouso dos cemitérios onde os descendentes irão depositar suas flores de respeito e de gratidão. Viver é isso.

As poluições visual e sonora em Piracicaba são um escândalo de comprometem os homens públicos e os políticos. É inacreditável que não tenhamos leis severas e rígidas que punam os abusos e a incivilidade. E mais inacreditável, ainda, que a Prefeitura seja, hoje, uma das maiores poluidoras visuais de Piracicabaa, com a marquetagem vulgar e medíocre feita por Barjas Negri e seus assessores, em flagrante dribles à lei. Não apenas à lei, mas, especialmente, ao espírito civilizado da terra de Sud Mennucci, de Luiz de Queiroz, de Prudente de Moraes, dos barões de Rezende e de Serra Negra. Esses outdoors são uma agressão a Piracicaba. E um prefeito, que já está acusado de envolvimento com sanguessugas, não pode ficar impune por estar sendo um “sanguessuga” da paciência, da bom senso, da estética de um povo. O silêncio da Câmara Municipal é constrangedor. E, quando o vereador Capitão Gomes fala da necessidade de os senhores edis terem mais assessores, seria bom, então, que se implantasse uma assessoria para os escândalos de poluição visual e sonora em Piracicaba.

Carros de publicidade, chácaras de fim de semana, barracões sem alvará, o barulho enlouquece a população enquanto os mais ousados enriquecem à sombra de proteção oficial. Cada outdoor da Prefeitura – obra número tal, obra concluída, nem que seja uma simples pista de bocha – deve ser visto como uma agressão à civilidade em nossa terra. Se começa a poluição com o patrocínio do próprio prefeito, o que podemos esperar da horda de desordeiros que, também impunemente, se apoderou do espaço público em Piracicaba.?

Civilizar é cuidar; polimento é policiar. Se a Prefeitura é a primeira a agredir, não há saída senão o clamor público, a denúncia em voz alta. As placas de Abel Pereira e de Barjas Negri são testemunho vivo de muitas coisas lastimáveis, lamentáveis e obscuras.

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