Jornalismo e a arte de nada dizer.

Enquanto a internet democratiza a informação, permitindo, cada vez mais, a interação do leitor com o veículo, possibilitando acessos e informações, há um “novo” jornalismo que se especializa na arte de nada dizer. E que, portanto, se faz absolutamente desnecessário, anunciando, ao mesmo tempo, a sua própria morte. Jornalismo acovardado e descompromissado com a busca da verdade é engodo a leitor de boa fé.

De qualquer maneira, a falta de honestidade para com o leitor se torna uma verdadeira obra de arte, a arte de dissimular. Vamos lá, imaginando o que acontece por aí:

1-um suposto golpe efetuado por uma suposta máfia de ambulâncias parece supostamente envolver um suposto político de Piracicaba;

2- comenta-se que um suposto jornalista, de supostas iniciais WFS, teria, supostamente, tentado chantagear o suposto médico SFW em suposta proximidade de uma suposta cidade supostamente vizinha de Piracicaba.

3- um suposto reitor de uma suposta universidade supostamente metodista supõe poder enganar supostos alunos de supostos cursos supostamente universitários.

Desde que se inventou – para facilitar a vida de alguns – o chamado “jornalismo objetivo” buscou-se impor a morte ao jornalismo verdadeiro, aquele que, desde as primeiras letras de forma ou do sonho de Guttenberg, mudou e construiu uma nova humanidade, com direitos mais dignos e verdadeiros. Não há jornalismo objetivo, pois ele é feito de convicções, de ideais, de princípios e isso, portanto, significa uma dose fortíssima de paixão. Objetiva é a notícia, objetiva é a informação, que não podem ser deturpadas, deturpação, aliás, conveniente aos que professam a objetividade jornalística equiparando-a ao pragmatismo e à imobilização de consciências.

Pouco antes de ruir o edifício ditatorial brasileiro, com censuras e violências, a Igreja Católica propôs uma Quaresma onde a Campanha da Fraternidade tinha um só propósito: “Ser voz dos que não tem voz.” Isso, acima de tudo, foi e é uma síntese de justiça e de solidariedade. Esse tal e novo jornalismo, pragmático e utilitarista, está atrelado às mais vis formas de poder e, por isso, se põe a serviço dos poderosos. Passa a ser, pois, voz dos que já tem voz. Ou, então, a voz do dono.

A quem interessa, senão aos donos? Jornalismo é assumir a missão de conseguir ser porta-voz da comunidade, de sua terra, dos valores de sua gente. E apenas isso.

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