Lições da lição dos pais de alunos.

Nas universidades piracicabanas, não há informação de movimentação de pais de alunos tão intensa como a que ocorreu nos últimos dias em relação à Unimep. A iniciativa de um grupo de pais em tomar posição frente aos acontecimentos da universidade foi exemplar, suprindo um vazio de lideranças assustador quer na sociedade civil, quer na classe política piracicabanas.

Foi, na verdade, como que um puxão de orelhas, uma atitude de pessoas responsáveis que começavam a ver direitos, tradição, história e responsabilidades indo por água abaixo, como se o respeito até mesmo pelo sagrado tivesse deixado de existir. Essa, a primeira lição da lição dos pais de alunos: a união de grupos civis responsáveis, já alheios a intervenções de políticos e de mediações de homens públicos. O fracasso, a leniência e os interesses de empresários do ensino e de homens públicos permitiram uma reação altiva de parcela importante e fundamental da sociedade: a família. Pais e filhos mostraram a força da família em relação ao descalabro e ao desrespeito.

Uma outra das diversas lições e reflexões a se tirar e a se fazer diante desse novo movimento pai/filhos/alunos/universidade: honra e história não podem, como pensam alguns, ser pisoteadas ao bel prazer de grupos ambiciosos que não hesitam em passar por leis, estatutos, regras, normas para alcançar seus objetivos nem sempre decentes. Uma universidade é o espaço do sagrado. Se profanado, não tem razão de ser, eis uma realidade que foi esquecida pelos interventores da Unimep mas que pais de alunos fazem questão de lembrar e de por ela zelar.

Uma reflexão, no entanto, parece-nos ainda mais importante, pelas preocupações que causam e por receios que despertam: as lideranças estudantis, lideranças universitárias, jovens. O que aconteceu com elas? Pois, não fosse a intervenção competente e responsável desse grupo de pais, os alunos – e guardem-se, antes de mais nada, honrosas e exemplares exceções jovens – estavam como que perdidos em divisões de grupos de interesse, em desinformações, muitos deles em alheamentos estranhos, muitos outros em estado por assim dizer hipnótico, catatônico. É uma reflexão importante e urgente, que nos obriga, aos mais velhos e experientes, a uma parada para avaliar situações e realidades: qual a maturidade, de forma geral, da juventude brasileira hoje? Mesmo que venha a ter muitos e bons diplomas, estaria preparada para as responsabilidades de comando, de chefia, de liderança que as espera? O que eles esperam da Universidade? O que a Universidade lhes está dando? Enfim: que sociedade nós, os que os antecedemos, lhes criamos?

Pois, apesar de absolutamente elogiável e merecedora de aplausos a atitude dos pais de alunos, esse posicionamento carrega, em sua motivação, algo que nos deixa até mesmo temerosos até mesmo de pensar e muito menos de avaliar. Pois, de repente, é impossível deixar de ver semelhanças reuniões colegiais de pais e mestres, para saber o que ocorre com a escola da garotada.

Os pais deram, sim, uma grande e bela lição. Dela, porém, podemos tirar algumas outras. Nem todas agradáveis. Mas úteis e necessárias.

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