Lula e a paixão por Fidel.

Tucanos e Demos estão ouriçados, mal percebendo quanto e como caem nas esparrelas armadas, com esperteza inteligente, pelo presidente Lula. Pois nem mesmo Fernando Henrique poderá negar a inteligência de um metalúrgico e sindicalista que não apenas chega à Presidência da República, como é reeleito por maioria esmagadora e apresenta um governo que, apesar de graves falhas, conta com o apoio e a admiração do País. Tucanos batem asas em pânico e os Demos (antigos narizes empinados do PFL) agitam seus chifres e tridentes.

O ouriçamento do dia, o desespero na moita se referem, agora, à sinceridade do Presidente Lula em se dizer admirador apaixonado da revolução cubana e do comandante Fidel Castro. Ora, José Serra e Fernando Henrique Cardoso, entre muitos que têm asas tucanas e alguns com chifres de Demos, também se inspiraram, quando na esquerda, na rapaziada barbuda que, de Sierra Maestra, derrubou a tirania e a corrupção de Fulgêncio Batista. E quem, com mais de 60 anos, não se apaixonou pela luta dos revolucionários cubanos? E quem, ainda agora, não admira a resistência dos cubanos diante da estúpida e farisaica pressão e opressão dos Estados Unidos sobre a pequenina ilha? Quem, por mais espírito e cabeça neoliberais tenha, não respeita a luta dos cubanos para vencer barreiras, o crescimento na educação e na saúde, o pequenino Davi – não confundir com o também pequenino Davi caipiracicabano e neo-metodista – contra o Golias armado até os dentes?

A revolução cubana está marcada em brasa na carne da memória mundial, um momento épico que não será esquecido apesar de todos os exageros, desvios e violências cometidos. Política e revolução – sabem os tucanos e os demos – não se fazem com sonetos parnasianos. E falar em falta de liberdade em Cuba – que é um fato – é tergiversar ou usar de verdades de conveniência. Pois há falta de liberdade na Rússia, em antigos estados soviéticos, na China, no Iraque, no Afeganistão, nos Bálcãs; a democracia se vai tornando feudo de família, como ocorre na Argentina e já também ocorre ns próprios Estados Unidos (Bush pai, Bush filho; Bill Clinton, Hillary Clinton); Israel usa de meios tirânicos em relação a seus vizinhos; mexicanos tornaram-se especialistas em ação entre amigos. E querem que Lula critique Fidel? Ora, pentear macacos é um bom passatempo, mas Lula, ainda que não tenha diploma universitário, tem sido mais elegante e civilizado do que seus opositores.

A revolução cubana foi uma epopéia que marcou a geração daquele final dos 1950. Ainda hoje, Che Guevara é mito e ícone. E cada espirro de Fidel Castro é ouvido e observado atentamente pelo mundo. O empresariado brasileiro está pouco se importando se há democracia ou não em Cuba, se há ou não liberdade – pois os investimentos naquele pequeno país serão cada vez maiores e mais interessantes.

Lula foi sincero e corajoso ao dizer de sua paixão pela revolução cubana e por Fidel Castro. Há poucos dias, Fernando Henrique fez uma declaração de amor a Bill Clinton e ninguém se lembrou das invasões estadunidenses em tantos países do mundo, nem das torturas promovidas, nem das espionagens antidemocráticas. O empresariado brasileiro pode até torcer por demos e tucanos, mas não é infantil para entrar nessa brincadeira de “liberdade cubana, de tirania de Fidel Castro”. Afinal de contas, como se sabe, dinheiro não tem pátria. E nem ideologia. Que, aliás, quase sempre é um instrumento para alcançar o poder.

Feliz Lula, que pôde ver Fidel Castro, estar com ele mais uma vez, ouvi-lo e até abraçá-lo, antes que o final aconteça. Azar meu, que não realizei esse sonho. O farisaísmo na política sempre foi verdade disfarçada. Agora, perdeu o pudor.

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