Mão do gato.

Na verdade, quase ninguém acreditou que Davi Barros estivesse levando a sério o acordo firmado junto ao Tribunal do Trabalho, quando se selou o acordo da Unimep com os professores e funcionários, na retomada do processo de reinstalação da legalidade. Pois não faz parte do histórico de Davi Barros concordar com idéias contrárias, conviver com o contraditório e trabalhar democraticamente. Sua passagem, como dirigente da Unimep em outras ocasiões, sempre revelou o espírito indócil, muitas vezes intratável, a quase incapacidade de convivência civilizada com opostos e contrários. Davi Barros age com personalismo. E, quando movido por objetivos carismáticos, suas decisões beiram o alucinado.

Aconteceu antes do esperado, mas era previsível: Davi Barros usou a “mão do gato” para, no acordo firmado, impor algumas determinações que ele próprio julgou necessárias ou favoráveis à Universidade, mas já não se sabe mais de que universidade dele fala, à qual ele se refere. A Unimep está em frangalhos, abatida moralmente e a situação se torna ainda mais inviável quando se vê e ouve – como aconteceu na quinta-feira – o próprio reitor, homem da Igreja Metodista e do Conselho Diretor, chamar de “faculdadezinha” a Faculdade de Ciências Exatas e da Natureza, que todos sabem abrigar profissionais de altíssimo gabarito e com dedicação comprovada em todo esse percurso. Se um reitor fala em “faculdadezinha” – por estar pretendendo mais alunos, quanto mais quantidade melhor, desde que com menos professores e menos custos – que aluno terá estímulo, coragem, entusiasmo para frequenta-la? E se o próprio reitor a considera “faculdadezinha”, por que, então, não extingui-la, não indenizar todos os que por lá passaram e dispensar de pagamentos os alunos que a frequentam?

A Igreja Metodista tornou público, recentemente, um documento irrepreensível em relação aos objetivos educacionais dos metodistas, à sua linha de conduta, à sua fidelidade a princípios e de respeito ao povo. Com Davi Barros, pelo visto, isso é impossível de acontecer. Um homem que não respeita mais nada não está à altura de uma responsabilidade que, acima de tudo, exige credibilidade. Como alunos podem confiar num reitor que desqualifica a própria instituição que dirige? Como professores podem confiar num reitor que não cumpre a palavra, mesmo quando dada e firmada perante a Justiça?

Mais o que a Unimep, é a Igreja Metodista que se meteu num buraco sem fundo. Com Davi Barros, a queda para o fundo do poço é acelerada. Com mão de gato, nada se constrói. Nem se reconstrói.

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