Matricídio “em nome de Deus”.

O triste, diante do que ocorre na Unimep, é a instituição mantenedora, IEP, não se desvincular da Igreja Metodista. Aparecem juntas até nos mais simples impressos, como, também, nos mais cruéis dos muitos distribuídos na premeditada guerra suja efetuada por Davi Barros. Pois é guerra suja o que ele promove, já que não respeita nem mesmo os limites éticos da ferocidade do mercado, que é feroz mas com leis. Davi Barros não respeita mais nada e parece interminável e inesgotável a sua sacola de maldades e de crueldades. Eis o horror diante do que acontece, o incompreensível, o inconcebível: cada documento dessa crueldade e dessa matança de valores sai em papel impresso com o símbolo do Instituto Educacional Piracicabano e da Igreja Metodista, o símbolo amorável do “Ir e Ensinar”, que nos acompanha há quase um século e meio.

Não se admite mais – a menos que por heresia e para se tomar em vão o nome de Deus – a administração de Davi Barros se refira a propósitos educacionais cristãos, a tentativa de “salvar ou de transformar” uma instituição cristã. Em suas mãos, a Unimep não é nem mais universidade e nem mais metodista. Pior ainda: não é sequer uma escola do mercado, pois o mercado tem leis que se respeitam, o mercado não afronta a legislação, o mercado tem, pelo menos, temor reverencial pela Justiça e pelo Direito. Nas mãos de Davi Barros, cultua-se o “direito ao jeitinho”, o “direito à esperteza”, a falta de palavra, o não cumprimento de deveres e de obrigações. Isso não é civilizado, não é honesto e, muito menos, cristão, a menos seja aceitável a idéia de igrejas de mercado que, diante de leis sérias, vêem falsos pastores empurrados aos xilindrós.

Mais terrível de tudo é que, “em nome de Deus”, Davi Barros comete um matricídio. Pois ele é “filho da Unimep”, que o acolheu na sua simplicidade intelectual, que o ajudou a desenvolver-se, que o estimulou – talvez, até em excesso – nas ambições que se foram revelando cada vez mais pessoais e insaciáveis. Davi Barros é mais “filho da Unimep” do que da Igreja Metodista, pois ele tem-se mostrado flexível quanto a denominações religiosas, como se elas mais o servissem do que ele lhes servisse aos ideais. Está na hora de as coisas serem ditas sem subterfúgios, pois se torna cada vez mais claro que o jogo proposto por Davi Barros – sabe-se lá em nome de quê, pois em nome de Deus não é – se trata de um projeto de aniquilação de valores, de imposição de referenciais, modelos e objetivos medíocres. E falar sem subterfúgios é convocar Piracicaba a enfrentar essa luta que Davi Barros pensa ser uma daquelas brincadeiras infantis da Rua do Porto ou das estudantadas de seu tempo como aluno da própria Unimep. E falar sem subterfúgios é invocar ambições pessoais de Davi, mágoas freudianas, ranços de ciúme e de frustrações por ter sido relegado a segundo plano quando suas ambições já o cegavam em busca da reitoria da Unimep que, agora, ele quer destruir.

Davi Barros comete matricídio em relação à sua mãe intelectual e profissional, sua mãe espiritual, a Unimep. E Rinalva Cassiano, que se tornou participante de tal violência, faz-se cúmplice dessa matança de mãe. Quando Davi Barros, maldosamente, falou em “zonas de conforto” na Unimep – referindo-se a professores, doutores, mestres – deve ter-se inspirado em si próprio e em Rinalva, pois a Unimep foi-lhes mãe generosa, de úberes fartos quando lhes propiciou todas as condições, especialmente financeiras, para seus estudos no exterior. Por que matar a própria mãe?

Na sabedoria árabe, fala-se da lição de alguém que, com crueldade, usava da chibata para agredir um indefeso homem. A vítima, gemendo, em dores, perguntava: “Por que você me quer matar, se eu nunca lhe fiz nenhum bem?” Davi Barros, nesse matricídio, mostra continuar havendo homens que não suportam os que lhe fazem bem. Ele mata a mãe espiritual em cujos úberes mamou. E o faz em nome de Deus. Sem ruborizar-se.

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