Mensagem (psicografada) do Bispo Osvaldo Dias da Silva.

Meu último encontro com o bispo metodista Osvaldo Dias da Silva foi no Lar dos Velhinhos de Piracicaba. Ele se aposentara como bispo emérito, permanecia aberto à vida e ao mundo, mas suas forças – as últimas – ele as usava para o Amor, devotado à sua idosa mulher e companheira, adoecida e extinguindo-se. Mas tudo de si mesmo continuava voltado à sua Igreja, ao Metodismo e, de maneira especial, à grande obra educacional em Piracicaba.

O Bispo Osvaldo Dias da Silva é alavanca da história da Igreja Metodista em Piracicaba. E da Unimep. E do IEP. Desgraçadamente, o grupo que aí está – na alucinação do comando desconstrutor de Davi Barros, na pusilanimidade de alguns outros que contaminam a história – evita lembrar-se do Bispo Osvaldo, como nem sequer deve saber do Reverendo Ângelo Brianese que, em nome do Metodismo, saiu às ruas e, de mãos dadas com o bispo católico D.Aníger Melilo, colocou o peito à frente das baionetas de militares, protegendo estudantes.

Na escadaria da Catedral de Santo Antônio, houve o primeiro e mais fantástico ato de ecumenismo heróico que o Brasil conheceu, quando era frágil e incipiente o ideal ecumênico. Crysanto César, o educador e pastor metodista, enfrentara a ignorância feroz de pentecostalistas e, com coragem, criara a semente da Unimep, a ECA. O pastor Ângelo Brianese – da Igreja Central Metodista, hoje Catedral Metodista – entregava sua alma a Piracicaba, como o fizera Maria Renotte e Martha Watts.

Foi uma epopéia. E lá estava ele, Ângelo Brianesse, no topo da escadaria da Catedral de Santo Antônio, de mãos dadas com D. Aniger Melilo, desafiando as tropas que tomaram de assalto a praça, com cães de farejamento, com um único mas amedrontador tanque de guerra. O tanque apontou o canhão para onde estavam Ângelo Brianese e Aníger Melilo, que fizeram a violência render-se ao seu idealismo e doação ao povo. Eram as igrejas Católica e Metodista, ainda outra vez, na história de Piracicaba. Das testemunhas daquela epopéia, uma de que lembro, está viva e ativa: Rubens Canto do Leite Braga.

Ora, quando figurantes quase anônimos querem impor malandragens amadorísticas à Unimep, quando Davi Barros – que seria, sei lá, àquela época, apenas confuso e indeciso funcionário do Banco do Brasil, ou mudando de igreja conforme o humor matinal – quer destruir uma construção heróica e, quando e também, uma mediocrizada cúpula metodista busca mercantilizar a fé e a história, eis que o Bispo Osvaldo Dias da Silva reaparece, da mesma forma como apareceu, agiu e resolveu crise semelhante lá nos já longínquos 1980. Confesso não me lembrar se, naquela crise, Rinalva Cassiano e Davi Barros estavam na trincheira para enfrentar nazistas da fé, se estavam estudando – obviamente financiados pelo IEP/Unimep – nos Estados Unidos. Não me lembro, mas me lembro do heroísmo, da fé, do espírito humilde mas universalista do Bispo Osvaldo Dias da Silva resolvendo o que parecia ser apocalipse.

O Bispo Osvaldo Dias da Silva reapareceu neste Natal e começou a falar ao coração de bispos e pastores da Igreja Metodista, sua sabedoria aspergindo serenidade, convocando à conciliação. De minha parte, ouvi o que o Bispo Osvaldo disse, sussurrando dignidade a partir da Lua Cheia que resplandeceu para, também ela, celebrar este Natal. O Bispo Osvaldo falou coisas e eu as psicografei.

Ele falou, aos mercantilistas, aos exploradores da fé, aos malandros e espertos: “Fariseus, sepulcros caiados, raça de víboras.” Mas falou com doçura, sem usar da chibata com que Cristo expulsou os vendilhões do Templo. Pois Cristo expulsaria com chibatas essa gente que viola o templo da Unimep.

E o Bispo Osvaldo falou e eu psicografei, enviando mensagem à sua igreja doméstica, aos continuadores, aos fiéis e apóstolos daquela construção primeira, acho que a todos – professores, estudantes, funcionários – que reagem à profanação. Ele falou, com humildade, mas com a firmeza de uma carta do Apóstolo Paulo. E eu psicografei:

“Meus filhinhos. Reajam, mantenham-se na fé verdadeira. Não se deixem seduzir por mercadores do templo. Loucos, oportunistas, ignorantes e interesseiros, esses sempre existiram. Ainda existem, continuarão existindo. Mas, em Piracicaba, plantamos a semente do altruísmo, da educação cristã missionária, uma semente do verdadeiro Reino de Deus. Em Piracicaba, essa maravilha da fé existe há quase 150 anos. Por isso, filhinhos, é preciso lutar contra turbas selvagens, contra inimigos da obscuridade que se infiltram nos relampejos da Luz. Em Piracicaba, conseguimos fazer uma Imitação de Cristo, na visão de nossos pioneiros que acreditaram na educação como busca do Caminho, da Verdade e da Vida. Ela já deu frutos e eles são o testemunho de que estivemos certos. Não cedamos à tentação do erro. A serpente, hoje, tem o nome de Mercado: igrejas de mercado, teologias de mercado, escolas de mercado, universidades de mercado. E Lúcifer aparece nessa falsa luz, a luz que fascina os medíocres.”

E o Bispo Osvaldo completou, dando-me a honra de psicografar:

“Filhinhos amados. O sofrimento de 2007 foi uma prova de Deus para testar a fé de vocês, como passagem pelo deserto, o êxodo, o martírio dos primeiros cristãos, as catacumbas. Vocês venceram Nero, vocês suportaram reencarnações de Hitler. Neste Natal, há o renascimento dos fiéis.”

E se fêz silêncio. E respondi: “Amém.”

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