Movido pela dignidade

Enviada a alunos, familiares, professores e funcionários do Colégio Piracicabano, a carta aberta do prof. Almir Linhares de Farias – diretor truculentamente demitido por Davi Barros do cargo que ocupava – é uma dessas profundas lições de dignidade e de altanaria que, com toda certeza, haverá de motivar uma luta mais séria em defesa do patrimônio moral que a Igreja Metodista vem devastando em Piracicaba. E insistimos: a devastadora é a ala dominante da Igreja Metodista, pois é ela que mantém, apóia e corrobora as decisões e atitudes mercantilistas e desastradas de Davi Barros.

A carta do prof. Almir Linhares de Faria é um contraste gritante – mas alvissareiro e exemplar – do que são os frutos do verdadeiro Metodismo, que Piracicaba conhece e do qual nossa gente bebe frutos há quase 150 anos. Davi Barros é uma página negra, talvez a mais negra que passou pela história da instituição, na cínica missão de transformar a educação metodista numa descomprometida fonte de recursos em ação entre amigos e irmãos de opa, ousadia que fere o que Piracicaba teve de digno e nobre em toda essa história. E essa página negra foi acentuada, como se para registrar-se na história, numa também cínica e farsante entrevista que, bem a seu estilo, Davi Barros deu a um dos jornais de Piracicaba. Foi um rosário de falsidades, de falácias e mentiras, como a com que tentou explicar a demissão do prof.Almir Linhares de Faria.

Há, na Igreja Metodista, um movimento de reação, que não se pode chamar de novo, pois é originário das suas raízes decentes e historicamente respeitáveis. A crise se acentua também no colégio episcopal, bispos têm sido substituídos, a pressão moral dos metodistas fiéis à filosofia de Wesley é cada vez mais crescente. Davi Barros não representa o que a Igreja Metodista tem de melhor, nunca representou, pois sua caminhada é das mais confusas e questionáveis, sendo mais honesto dizer-se que ele, ao contrário do que se disse em sua entrevista, não caminhou de “engraxate a reitor”, mas de “engraxate a feitor”, pois é de tiranete o seu comportamento, um iconoclasta que submete todos os valores ao altar do mercantilismo.

A decisão do prof.Almir Linhares de Faria de lutar pela justiça, pelo direito, pela dignidade do cargo a que serviu – e, portanto, da verdadeira Igreja de que faz parte – é um momento de grande nobreza, que, com certeza, impulsionará a luta de professores, pais de alunos e alunos, alguns dos quais, na Unimep, andam combalidos, quase convencidos de que a universidade realmente se acabou. Ainda não acabou. A reação do prof.Almir Linhares de Faria é um sopro de dignidade pelo recrudescimento de uma luta pela dignidade, que se vai perdendo entre truculências, mentiras e incompetência, sob a proteção de uma ala passageira da Igreja Metodista.

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