Mulheres, líderes e vítimas.

Há ainda poucas horas, fazíamos um breve comentário, como opinião, a respeito da ascensão da mulher no comando do poder em várias partes do mundo, o que nos motivou, também, lembrar o trabalho e a obra de Cida Abe em Piracicaba. Não há mais como deixar de admitir que a liderança feminina se tornou um fenômeno impressionante em nossa época, não apenas pela ascensão de muitas ao poder, como pelo sacrifício a que outras delas são submetidas.

Poucas horas depois daquele comentário, víamos o mundo abalar-se a partir de outras duas mulheres, líderes também, mas sacrificadas: no Paquistão, Benazir Bhutto, assassinada por fanáticos ainda não identificados, mas reconhecidos como parte de um fundamentalismo religioso que transformou o mundo em barril de pólvora; a outra – outras, aliás – vítimas das FARC na Colômbia, cuja libertação mantém em suspense as nações que não admitem submeter-se à guerrilha e ao banditismo.

A presença feminina, pois, nos extremos – no ápice do poder e sacrificadas pelo poder – é reveladora de uma nova ordem mundial, onde a inteligência masculina se revelou incapaz para perceber e avaliar as mudanças estruturais dos tempos. O martírio de mulheres, como ocorreu com Benazir Bhutto, pode ser o estopim transformações impossíveis, ainda, de se avaliarem. O que acontecer no Paquistão, a partir da tragédia assassina, repercutirá na ordem mundial.

Infelizmente, os nossos políticos – especialmente os de nível paroquial – ainda não entenderam que até o buraco de cada esquina de bairro está, hoje, estreitamente vinculado às mudanças universais. Ou seja: o buraco da esquina está dependendo, hoje, do desenrolar dos acontecimentos no Paquistão, com suas profundas repercussões mundiais. A mulher no poder ou o poder sacrificando mulheres são sinais de uma nova ordem universal.

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