O afastamento de Almir Maia.

Os que acompanham a caminhada da Unimep sabem que, desde a última terça-feira, aquela instituição encerrou o ciclo dos grandes ideais e das grandes ambições humanísticas. Almir de Souza Maia – o homem que liderou todo o grande processo de consolidação da Universidade – formalizou, como estava previsto, o seu afastamento da instituição. Fica, assim, a partir de agora, inteiramente aberto o caminho para as mudanças de ordem prática e pragmática que passam a orientar aquela universidade, sob o comando total de Davi Ferreira Barros.

Damos ênfase aos “que acompanham a caminhada da Unimep” pelo fato de essa história ter sido, pelo menos até aqui, feita de “trabalho, sangue, suor e lágrimas”, para se repetir a frase famosa de Churchill. A Unimep se negou, em todos os tempos – incluindo quando da administração de Richard Edward Senn – a ser uma instituição voltada ao mercado. Seus objetivos sempre foram nobres, razão porque Piracicaba jamais se cansou de partilhar das lutas, das conquistas, lamentando falhas mas reerguendo-se para retomadas heroicas.

Quando Richard Edward Senn criou a universidade, o primeiro nome que ele desejou foi “Universidade de Piracicaba”. Pois ele sabia que nada poderia ter sido feito sem o apoio desta cidade, dos empresários, da indústria e do comércio, dos profissionais liberais e, especialmente, do entusiasmo da intelectualidade piracicabana. Apenas num segundo momento Richard E. Senn decidiu-se pelo nome que unificaria as duas dimensões: universidade de Piracicaba e metodista, de onde se consolidou a marca que se tornou grife, sim, de qualidade, de seriedade, de idealismo: Universidade Metodista de Piracicaba.

Almir de Souza Maia construiu essa obra a partir de escombros que restaram após lutas políticas e religiosas que tanto mal fizeram à instituição e também a Piracicaba. Foi ele, com uma equipe valorosa, que criou a coluna cervical da universidade, conseguindo conciliar o que parecia inconciliável: a doutrina da igreja com o universalismo da instituição. Nesse período, a Unimep pode orgulhar-se de sua independência, da fidelidade a seus propósitos, da honradez com que manteve princípios que lhe nortearam os objetivos.

Almir de Souza Maia afasta-se da direção geral do IEP e vemos encerrado um tempo notável de uma universidade que objetivou ombrear-se com as grandes instituições de ensino, sem se deixar seduzir pelo canto das sereias do mercado. A UNIMEP lutou, até aqui, pela excelência do seu ensino, pela independência ideológica. Despedindo-se da universidade, Almir de Souza Maia coloca um ponto final nessa história valorosa. Pois, a partir de agora, o novo desafio da Unimep – nestes tempos de mercado – parece menor e mais simples: competir com as faculdades Anhanguera, que se instalam na cidade.

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