O humilhado num palco iluminado.

O problema na Unimep e na cúpula da Igreja Metodista não está, apenas, na perda da capacidade de ruborizar-se. As artimanhas, as farsas, mentiras e jogos de cena foram tantos que parece ser uma metodologia desse novo metodismo pragmático e de mercado. O problema também está na incapacidade de fazer escolhas, pois saber escolher, saber optar, definir-se exigem referenciais sólidos. Quando estes se perdem, os referenciais, fica-se ao léo, fazendo piruetas, soltando fogos de artifício e mistificando.

Na Unimep e na Igreja Metodista, repete-se o que, sabiamente, o povo entendeu há séculos: “Há quem goste dos olhos, há quem prefira a remela.” A cúpula da Igreja Metodista optou pela remela, pelo que há de pior em sua já combalida e rachada estrutura institucional. A injustiça que se cometeu contra Almir de Souza Maia, a tentativa de humilhá-lo e de menosprezar o seu grande trabalho ao longo de duas décadas, a inveja que salta dos olhos e da alma de Davi Barros, os sentimentos freudianos de vingança e de ambições menores, traições mesquinhas como as de, entre outros, Sérgio Tavares – essa é a moldura em que a Igreja Metodista se enquadrou mediocremente, por força de ter-se rendido a maiorias medíocres. Ao tentar humilhar Almir Maia, Gustavo Alvim, ao tentar desclassificar toda a história passada que inclui Elias Boaventura – essa cúpula metodista fez a opção pela remela.

Através de Almir de Souza Maia, a Igreja Metodista – a de antes – incluiu-se entre as promotoras de uma iniciativa ímpar na América Latina, que foi o estímulo e o apoio à criação da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, que se tornou conhecida como “a primeira Universidade Negra” da América. E, na quinta-feira, realizou-se a colação de grau da primeira turma, num acontecimento histórico e, por isso mesmo, memorável.

Fazemos questão de registrar, para que, amanhã – e quando essa mediocridade da Unimep for vencida – historiadores da própria Igreja Metodista saibam e reflitam sobre a opção que, agora, a cúpula mercantilista fez. Registramos: a solenidade foi aberta pelo Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva. Paraninfos foram o ex-governador Geraldo Alckmin e a ex-ministra Benedita da Silva. Estiveram presentes ao grande acontecimento: o governador de São Paulo, José Serra; o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, os ministros de Estado (sete) Fernando Haddad (Educação), Alfredo Nascimento (Transportes), Márcio Fortes (Cidades), Edson Santos (Igualdade Racial), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Luiz Marinho (Previdência) e Orlando Silva (Esporte). E, também, líderes e representantes das principais instituições sócio-econômicas do País.

Foi um palco iluminado. E, nesse palco, um dos homenageados principais – recebendo aplausos das principais autoridades do País – foi Almir de Souza Maia, por seu trabalho como reitor e diretor geral da Unimep, trabalho que a cúpula da Igreja Metodista e o grupo liderado por Davi Barros tentam humilhar.

A Igreja Metodista, a ouvir-se a voz do povo, preferiu a remela aos olhos. E, talvez para que a cúpula dirigente e o Colégio Episcopal tenham um instante de reflexão lúcida, confirmou-se, naquele palco iluminado, a sabedoria bíblica: o humilhado Almir de Souza Maia foi exaltado.

Desgraçadamente, Piracicaba, por suas lideranças mais expressivas, não sabe o que está acontecendo na Unimep, um verdadeiro golpe do baú aplicado por Davi Barros à sua terra de nascimento, que pouco parece significar-lhe. O silêncio de Piracicaba é lastimável. Silêncio de ignorância ou de covardia, ainda não se sabe. Mas a História começa a registrar.

É a escolha da Igreja Metodista: Almir de Souza Maia, homenageado entre as principais autoridades brasileiras e seu sucessor, Davi Barros, às voltas com a Justiça…

 

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