Opção pelo menor.

A divulgação, pelo “Jornal do Brasil”, do desnudamento dos métodos e artifícios de Davi Ferreira Barros no comando de instituição de ensino metodista é, mais do que um sinal de alerta, a confirmação de que, para Piracicaba, não há como respeitar atitudes menores. É o que alunos e professores, na Unimep, estão fazendo: não se conformam e não convivem com, não aceitam e não contestam ilegalidades, Mesmo as que, como as de Davi Barros, se escondem por propósitos e obras “para maior glória de Deus”. Se a Igreja Metodista passou a ter estômago para suportar, aplaudir, abençoar todo esse esquema de engodos e de espertezas, esse passa a ser problema dela, que se agrava a cada dia. Mas Piracicaba – útero gerador da Unimep, seu berço e seu colo – não pode admitir.

Ora, por obra e feitos do sr.Davi Ferreira Barros, levantam-se denúncias que permitiram, diante da auditoria feita também em São Bernardo – e segundo o “Jornal do Brasil” – o menosprezo de uma autoridade falar de “filantropias ou pilantropias”. E “pilantropia” seria, então, essas coisas de pilantras, feitas em nome da filantropia, como espertalhões fazem com igrejas de fundo de quintal, seitas, pregadores que vendem milagres e ressurreições. Colocar a Unimep nesse saco de gatos é ultraje supremo. Pelo menos para Piracicaba onde o orgulho por essa universidade está sendo mantido pela dignidade de professores e alunos, com o Colégio Episcopal teorizando muito e bonitamente, mas lavando as mãos à Pôncio Pilatos. Parece que poucos bispos estão percebendo ser a história brasileira do metodismo, em seu berço piracicabano, que está indo para o brejo.

Desgraçadamente, porém, parece ser preciso fazer uma reavaliação de juízos, de conceitos. Porque, até aqui, toda a defesa e toda a expectativa se fazem a partir da honra e da nobreza da Igreja Metodista como um todo, como uma história. Mas, se Davi Barros faz como quer e como bem entende, se um Conselho Diretor coonesta e apóia suas decisões ilegais – ele, um “recordista de irregularidades” – não seria lícito passar a crer que essa pode ser, afinal de contas, uma opção da própria Igreja, opção dessa nova maioria que se impõe e que a lidera? Ora, tudo começou com a escolha de um eficiente vendedor de seguros para ser presidente do Conselho Diretor do IEP. Como vendedor de seguros, o cidadão era um especialista em lucros, sem nada entender de educação, sem nada saber da Unimep. Mas, pelo visto, conseguia fazer cair o maná dos céus sobre seu público alvo, fiéis evangélicos. Para os fiéis – a quem pastores e bispos prometem as delícias da vida eterna – o vendedor de seguros garantia uma vida terrena sossegada, inferindo-se que, também, a promessa de o segurado “ir para o céu com saúde”. Esse cidadão, em nome da Igreja, trabalhou para abalar a grande obra realizada pelos antecessores de Davi Barros, apegando-se a números, sem revelar quem e quantos usufruíam de verbas das instituições. E veja-se que, em São Bernardo, uma das denúncias é de que, na “filantrópica”, havia salários e outras despesas não permitidas.

E se for uma opção da Igreja pelo menor? E se for uma opção pelo brejo? Se foi isso, a escolha de Davi Barros parece ter sido adequada. Pelo menos é o que se depreende ao se comparar o que ocorreu, segundo o Tribunal de Contas, em São Bernardo, e ele tenta fazer em Piracicaba. Se for essa a infeliz e medíocre opção eclesial, não é a mesma dos professores, de alunos e de Piracicaba. Queremos a grande Unimep de volta. E, para ser grande, não pode ser dirigida pequenamente.

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