Perda de respeito.

A preocupação é de todos. A responsabilidade, no entanto, cai sobre ombros do Conselho Diretor da Unimep e do colegiado da Igreja Metodista. Pois as coisas se tornaram absolutamente claras e irreversíveis: David Ferreira Barros não tem qualquer condição de responder pelo cargo de Reitor da instituição e de diretor-geral do IEP. Falta respeito. E não é que ele o tenha perdido. Não chegou a tê-lo, esquecido, talvez, daquilo que até o homem do povo sabe: “respeito não se impõe; adquire-se.”

As manifestações de alunos, de professores, de funcionários, de entidades e manifestos de outras universidades mostram claramente a que ponto chegou o desrespeito para com Davi Ferreira Barros. Ora pintado de palhaço, ora apontado como responsável pela prostituição do ensino, ora mostrado como figura ridícula, Davi Barros colheu o que plantou antes mesmo de assumir: o desrespeito e o desprezo da maioria, como um boomerang que se voltou contra ele próprio, pelo também desrespeito e desprezo que teve para com funcionários e professores da Unimep.

Há guerra no ar, no sentido de ausência de paz e de entendimento. E guerra acontece – sabe-se disso desde as lições de Karl von Clausewitz – quando falha a diplomacia. E diplomacia é tato, bom senso, negociação, entendimento. Davi Barros em nenhum momento teve o mínimo da civilidade que se deve esperar de um reitor, como se ele tivesse aprendido muito mais dos grandes defeitos do que das ótimas qualidades de um de seus inspiradores, o dr.Richard Senn. Este, Richard Senn, pagou caro pela falta de senso diplomático, provocando verdadeira guerra dentro da universidade, da qual saiu derrotado.

Davi Barros não aprendeu com o senso de conciliação e de respeito de seus antecessores, Elias Boaventura, Almir de Souza Maia, Gustavo Alvim. Estes, nos momentos mais críticos da universidade, souberam parlamentar, mantiveram o respeito, honraram compromissos, evitaram qualquer ato de truculência. Davi Barros, pelo contrário, iniciou pela truculência, como um sargentão que tratasse de amedrontar, à força e aos berros, grupos de reservistas.

Ora, experiência amargas Davi Barros já as teve também em São Bernardo, onde impôs seu estilo arbitrário e impulsivo. Nem lá deu certo. E muito menos dará aqui, onde ele aceitou o subserviente papel de cumpridor de ordens de um Conselho Diretor que está muito mais preocupado em questões de mercado do que em honrar a história e a tradição da Unimep. Seria demais esperar que esse Conselho Diretor tivesse a coragem, a humildade e – se é possível lembrar-lhe, ainda, de espírito cristão – de reconhecer que a escolha de Davi Ferreira Barros foi uma das mais lastimáveis opções feitas em relação à universidade. Não que lhe falte competência ou capacidade. Falta-lhe – e ele insiste em provar por si próprio – o respeito que se deve às pessoas que construíram essa história, o respeito também à dignidade do cargo que exige, antes de mais nada, sabedoria, civilidade e espírito humanístico. Davi Barros não dirige uma pedreira onde se explodem e se derrubam pedras. Dirige uma universidade, templo do humanismo, da ciência e da cultura. Reitor não é o mesmo que feitor. Reitor é titular de cargo de magnificência, o que rege, o regente. Davi Barros transformou a reitoria em chacota, em zombaria e em desprezo.

Que Piracicaba se prepare: Davi Barros não tem condições de permanecer no cargo. Mas se insistir, se esse Conselho Diretor também truculento persistir, se a direção da Igreja Metodista não agir rápido – a Unimep estará destruída. Nenhum reitor do passado foi de tal forma desmoralizado como está sendo-o Davi Ferreira Barros. O ex-presidente José Sarney deixou-nos lições candentes sobre liturgia do cargo. Quando ela se perde, acontece o desrespeito com que Davi Barros é tratado, alvo de zombarias e de chacotas. Um reitor mostrado até pela internet como palhaço é, convenhamos, deprimente. Pelo menos para a Unimep histórica e para Piracicaba.

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