Por quê ingressar na Unimep?

Parece incrível que, em meio a toda essa crise programada e provocada, a atual direção da Unimep – com sua aliança a setores fundamentalistas do metodismo – convoque os exames vestibulares à universidade sem prestar esclarecimentos a possíveis candidatos. Pois essa convocação, sem explicações detalhadas, é passível, no mínimo, de futuras queixas e reclamações ao Procon por propaganda enganosa. À qual Unimep iriam apresentar-se possíveis candidatos? À anterior, à gloriosa Unimep de tanta honradez, de tanta fidelidade a princípios pétreos de compromisso com a dignidade humana, a essa Unimep que sangra de traições e de golpes mercantilistas? Ou os possíveis candidatos aos exames vestibulares sabem que irão participar de uma seleção que os levará a uma escola como outra qualquer de tantas que existem no mercado?

Essa pergunta é definitiva, tem que ser: à qual Unimep um vestibulando sabe que irá ingressar? Pois o problema é sério e envolve questões de moralidade e de legitimidade do produto anunciado e oferecido. Com Davi Barros e sua equipe – tanto na área laica quanto na clerical – não existe mais a Unimep anterior, gloriosa e com uma história brilhante. O que existe é uma universidade exangue, que eles tentam matar lentamente, mas que insiste em sobreviver como que à espera ou na certeza do bom senso salvador. Com Davi Barros e sua equipe, as ruínas de toda uma estrutura são preparadas para servir a um grupo de faculdades sem qualquer compromisso com os nobres ideais anteriores. Uma universidade de fachada, pois não poderá ser a não ser de fachada uma universidade que atinge a alma do ensino, que menospreza a pesquisa e que chega até a ridicularizar a extensão.

Por quê ingressar na Unimep? Essa é a pergunta que, hoje, deveriam fazer pais e alunos, na análise dolorosa mas profunda de uma realidade que não tem o direito de se apresentar como farsa. A Unimep proposta por Davi Barros e seu time – “um novo modelo de universidade”, como dizem – busca a competitividade no mercado, mas de maneira errônea, grotesca e equivocada. Ela não quer competir com níveis superiores, em qualidade de ensino, em investimentos na pesquisa, em cuidados com a extensão. Quer competir no valor das mensalidade, baixando preços, como se a educação superior fosse uma simples mercadoria que se põe à venda num balcão de negócios.

Antes, buscava-se a Unimep pela excelência do ensino, pelo compromisso com a nobreza da educação, pela dignificação do conhecimento. Hoje, buscar a Unimep de Davi Barros será, apenas, pagar mais caro por um diploma que está à venda, com prestações mais acessíveis, em quase todas as cidades médias do país. Um centro de faculdades, como a Anhanguera, pode dar, com preço mais barato, o que a escola de Davi Barros oferece com preços elevados, pois ainda historicamente comprometidos com uma qualidade de ensino que fundamentalistas querem destruir. Pagar mais caro por qual qualidade? O caso já foi de Freud. E da Polícia Federal. Agora, pode ser caso para o Procon.

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