PT, festa, sinal de vida.

Das mais alvissareiras a informação de que o PT de Piracicaba se reuniu em jantar no tradicional Bar Cruzeiro, comemorando aniversário de alguns de seus líderes, entre eles o ex-prefeito José Machado. Pois se trata, enfim, de um sinal de vida, já que o PT, especialmente em nível municipal em Piracicaba, se tem mostrado inapetente, acéfalo, dividido, exaurido em suas forças originais. José Machado, por onde anda? – eis a pergunta até mesmo sofrida e amarga de um povo mais humilde que o teve como um de seus líderes de confiança. E Jefferson Goulart, um dos ideólogos do PT, deixou, ele, as lides participativas, mergulhando apenas nas reflexivas?

Um dos mais lastimáveis aspectos da política partidária piracicabana é a absoluta falta de oposição seja a o que for em nosso município. A Câmara Municipal foi praticamente cooptada pela administração municipal, arriscando-se a essa desmoralização de grande número de vereadores de quem se fala apenas para zombar de seus projetos de congratulações e de títulos de cidadania. O PT, oposicionista tão feroz no passado, praticamente se emasculou, após a derrota de José Machado e de sua também lastimável neutralidade no segundo turno das eleições municipais. Ficou neutro, desapareceu. Na Câmara Municipal, vereadores petistas deram trombadas entre si próprios, deixando de revelar aquele anterior posicionamento monolítico diante de problemas, situações e até mesmo de princípios.

O papel analítico e crítico da imprensa parece ter desaparecido nos últimos anos, como se a nova função fosse apenas a de noticiar fatos e registrar acontecimentos. As análises fecundas, inteligentes, o contraditório cristalino e necessário, isso parece ter desaparecido, como se fossem as tais coisas de antanho. Ora, democracia sem oposição crítica não passa de farsa ou de acerto de contas entre grupos. E, desde quando Aldous Huxley cunhou a frase – usada pelo Brigadeiro Eduardo Gomes e pela UDN como lema e símbolo – que quase todos aprendemos: “O preço da liberdade é a eterna vigilância.” Sem ela, o poder se corrompe ainda mais e corrompe todos os que o cercam.

A inércia é tal que Piracicaba parece um lago plácido de tranqüilidade, equívoco que pode ser fatal, pois lodaçais também são plácidos. Por isso, o jantar do PT poderia – mas não sabemos se deveria – ser observado como um sinal de alvíssaras. E se fosse um primeiro sopro de vida nova, de reavivamento, de retomada de posição, de coragem de decidir, de voltar às ruas, de reassumir o papel histórico de crítica, de oposição e de parceria com o povo? Pode ser que isso seja apenas um desejo. Mas seria ótimo para Piracicaba.

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