Quarteto e quadrilha.

É estarrecedor – a quem tem um mínimo de conhecimento a respeito do Metodismo pelo menos em Piracicaba – constatar o que essa pequena cúpula de uma “nova Igreja Metodista” propôs como alternativa a um admirável passado secular. Vindo, talvez, dos chamados grotões religiosos e da simplicidade de fundamentalistas a opção foi pelo fanatismo e pelo que Weber chamaria de “política de resultados”.

Há uma saga na institucionalidade de igrejas protestantes que se vêem, muitas vezes, cindidas e feridas por concílios que, em sendo democráticos, decidem a respeito do Divino pelo voto Profano. No últimos concílios, a Unimep era vista – repetindo lá os meados dos 1980 – como “propriedade de grupo”, um espaço que deveria abrigar, dar empregos e acolher “os nossos”. E “os nossos “ eram os metodistas da linha neo-pentecostal que vivem e existem apenas a partir daquilo que ouvem, sentem, escutam e vêem por inspiração do Espírito Santo. São os escolhidos, os pré-destinados, os eleitos.

Davi Barros – um cidadão sem grandes brilhos e com um histórico melancólico de vida acadêmica – age como fanático religioso, o ungido, o enviado, o consagrado. E, da mesma forma, como se criaram tribos nas origens abrahâmicas e grupos apostólicos nos primórdios cristãos, a Igreja Metodista permitiu fosse fundado, em Piracicaba, o Quadrado Mágico da nova revelação, talvez do Criacionismo. Com isso, é inevitável a castração da ciência em função da apologética, a substituição de mestres e doutores, de sábios e de pensadores por grupos, quartetos e quadrilhas inspirados pelo sucesso material, financeiro e patrimonial das “igrejas de mercado”. Iniciadas com Zarur, elas têm, na esperteza de Edir Macedo, o referencial de como tornar profanamente lucrativo o sagrado. Davi Barros, egresso do Banco do Brasil, entende de negociações. E montou o quarteto, seu quadrilátero pessoal.

A cúpula dominante da Igreja Metodista aceitou e mantém a quadrilha que, para ela, é quarteto. Ora, conforme o ângulo pelo qual se observe, quarteto e quadrilha possibilitam compreensões diversas: quadrilha pode ser dança, reunião de pessoas, bando; quarteto são os quatro componentes de um grupo que se organiza para o bem ou para o mal. Há quadrilha que se confunde com quarteto. E, na realidade, podem fazer as mesmas coisas e exercer as mesmas funções. Grupo de quatro, para os espanhóis, é sempre “cuadrilla”.

Na Unimep e na Igreja Metodista, hoje, há o quarteto de Davi e a quadrilha de Davi. Que são ridículas, tais as suas estreitezas, seja para a proposição do bem como para a elaboração do mal. O quarteto da Igreja Metodista é a quadrilha da Unimep: Davi Barros, Sérgio Tavares, Rosa Meneghetti, Rinalva Cassiano. Um, Davi, é a voz; os demais, três que formam o quarteto e a quadrilha, são apenas coadjuvantes.

O quarteto está desafinando. E a quadrilha fracassou. Davi Barros – como regente de quarteto ou líder de quadrilha – mostra-se incompetente. Sérgio Tavares não consegue olhar para os olhos de ninguém, como se apenas à espera da figueira onde possa enforcar-se. Rosa Meneghetti é a única feliz, pois sem saber o que ocorre, está satisfeita por ter conseguido a principal construção da Unimep nestes tempos: uma faixa protetora de cimento para estacionar seu carro. E Rinalva Cassiano, a velha Rinalva, anciã, sendo usada como aval do passado, sem que se lhe perguntem se já não passou seu tempo de validade acadêmica. Tudo que é vivo caduca – remédios caducam, alimentos caducam – mas, na Unimep, prazos de validade e caducidade parecem não ter mais importância.

O quarteto da Unimep é quadrilha. Como quarteto, na dimensão musical, não existe. Como quadrilha, peca ao acreditar poder, indefinidamente, burlar a lei, mentir e falsear. Um dia, a casa cai. Está caindo.

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